11/10/2011

Assalto ao Banco Central

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , , , , às 05:50 por Roger Lopes

Durante as últimas crises econômicas, o então Grande Ditador Luis Stalin Molusco da Silva, comemorou com vodka russa e aplausos oficiais do servilismo midiático o fato de o sistema financeiro brasileiro passar incólume pelas turbulências internacionais. Como se fosse possível tais agiotas quebrarem praticando os juros mais extorsivos do mundo mediante a benção paternal de um governo cuja sanha tributária desenfreada só encontra similar na infinita benevolência para com a ganância de eméritos especuladores filhos da puta.

Como diz o provérbio, relembrar é viver puto. Então, cabe lembrar que no Regime do déspota anterior, Fernando Holocausto Cardoso, criou-se por meio de Medida Provisória o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional), salvaguarda hedionda via BNDES a instituições quebradas por roubalheiras e má administração. Conhecido na época como escândalo da Pasta Rosa, desviou somas astronômicas do erário para as mãos de banqueiros e ladrões ligados à equipe econômica do partido no poder, ficando o contribuinte com um prejuízo “Feito Pra Você!”

Tal fato já é de causar calafrios na medula óssea, mas a reciprocidade dos larápios eleitos com o auxílio do modesto capital financeiro em suas dissimuladas campanhas  vai muito além da singela caridade dos cofres públicos, sendo necessário impor a todo cidadão a manutenção de conta bancária, para que as instituições lucrem fortunas emprestando dinheiro alheio.

E as arbitrariedades não terminam, pois em nome da segurança, medidas ditatoriais de rapinagem são implementadas com inabalável conivência legislativa. De constrangedoras portas giratórias, que impedem o acesso do cliente, mas não dos assaltantes, até a limitação de horário para uso e de retirada de valores em caixas eletrônicos – os quais têm como habilidade mágica obrigar o correntista a pagar para fazer ele próprio o trabalho dos bancos enquanto estes “enxugam” seu quadro de funcionários – sob o pretexto de evitar sequestros relâmpagos. Quanta bondade, “Nem Parece Banco!”

Não bastasse a generosidade governamental, os tesoureiros do Império ainda brincam de Van Gogh com as cédulas de caixas eletrônicos explodidos, devolvendo novamente o ônus de sua obra de arte à sociedade, jogada compulsoriamente no papel de receptor. O quadro que se desenha é por demais surreal, afinal quando o cidadão é assaltado, não só pelos bancos, mas também por outros bandidos, deve assumir o prejuízo. Então, por que cabe à população se responsabilizar pelos custos causados justamente por uma Indústria da Insegurança patrocinada por banqueiros detentores das principais companhias de seguro e pela incompetência de um Estado títere dessa voracidade?

É absurdo exigir que a população ande com lupa no bolso para verificar se a porra da nota está pintada, queimada, rabiscada, cagada ou merda semelhante, sob o risco de perdê-la para que os tubarões monetários mantenham intocados seus ganhos exorbitantes. Se não conseguem controlar a criatura violenta parida do próprio ventre, que façam um seguro de seus vultosos patrimônios ou, Pelos Relógios Derretidos de Dalí, venham pintar como eu pinto.

Resumindo essa Ópera do Malandro, o mais recente gesto de boa vontade da leviandade politiqueira fora proibir o uso de celular pelo cidadão nas desamparadas dependências bancárias. Tudo visando o bem estar do cliente para que não fiquem vulneráveis à ação dos malandros que transitam livremente nas agências, sujeitando-as a possíveis indenizações. Assim como a patética Lei de Desarmamento, o truque escondido na cartola é retirar do cidadão seus direitos civis ao invés de melhorar a segurança pública. Senhor banqueiro, tenha você também, um Banco Central de Vantagens!

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19/09/2011

Band-aid na Gangrena

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , às 18:42 por Roger Lopes

Após eterno período hibernando em berço esplêndido, pequena parcela deste florão da América acorda de um sonho intenso para notar o tumor maligno que se alastra por sua próstata. Exaustas do repetitivo repertório de denúncias envolvendo o nome de cancros ligados ao atual proctologismo governamental (não que os anteriores também não fossem dados a enfiar o dedo no cu da população), comunidades de internautas começam a se mobilizar em marchas contra a Corrupção. Indignação legítima e digna de aplausos por parte de qualquer pessoa com um mínimo de vergonha na cara.

Entretanto, faz-se necessário questionar se essa aberração disforme que cresce alimentando-se nas entranhas das mesmas instituições que deveriam combatê-la pode ser extirpada por meros placebos verborrágicos, pois não é preciso ser nenhum sociólogo exilado na Sorbonne para perceber que o monstro voraz se esconde justamente sob os narizes putrefatos da própria sociedade, conivente com os jeitinhos, o menor esforço, as facilidades e os “cafés” cedidos para aliviar a barra de “inofensivos delitinhos”.

Consequentemente, tal unguento, como todo ativisminho acéfalo, não possui em sua fórmula conhecimento analítico e menos subjetivo da origem da doença que almeja curar, sujeitando-se a ser mais um movimento festivo metido a revolucionário em terras autóctones, sequer cogitando a remoção do câncer que infesta o corpo constitucional, contentando-se em cassar duas ou três células podres, que provavelmente terão seus direitos políticos restituídos, tão logo passe o efeito das vacinas sensacionalistas.

No receituário de seu Contrato Social, o doutor Jean-Jacques Rousseau diagnostica que “assim como o regime das pessoas saudáveis não convém aos enfermos, não se deve querer governar um povo corrupto pelas mesmas leis que convém a um povo bom.”

Na aparência, a campanha movida pela internet é um grande processo de mudanças comportamentais, democráticas, sociais, políticas, blá blá blá, porém na prática o heroísmo apregoado não passa de um Band-aid na gangrena que corrói a estrutura do país, sendo demasiadamente cego para identificar na quantidade absurda de leis imbecis surgidas a cada dia, na extorsão tributária, nos meandros burocráticos, na subserviência partidária, na supressão das liberdades individuais e coletivas, nos processos eletivos viciados, no autoritarismo desenfreado, nos assistencialismos baratos, na falta de cidadania e educação, no tráfico de influência, nas desigualdades econômicas e na cultura da pobreza, as condições para a evolução da ferida aberta em todos os poderes da República.

Palavras de ordem a favor de quimeras democráticas, resultam geralmente em tirania similar à de outros movimentos falidos como o “Diretas Já” e o “Caras Pintadas”. O primeiro teve como grande mérito apoiar a troca da ditadura física dos milicos pela psicológica do fisiologismo partidário, com o agravante de jogar nas costas dos cidadãos o ônus de indenizações obscenas a estelionatários políticos que jamais tiveram qualquer compromisso com a nação. O segundo, nada mais foi do que um carnaval fora de época patrocinado por grande emissora de televisão, que via parte de seus interesses contrariados naquele momento. Em ambos os casos, os titereiros conduziram com enorme maestria a manipulação das cordas de suas marionetes.

Quem comprou pela primeira vez seu nariz de palhaço, roupa preta, corneta, flâmula revolucionária e saiu em desabalada carreira gritando “você é a doença, eu sou a cura”, lembre-se que os Sarneys, Fernandos, Dirceus, Genoínos, Mottas, Rorizes, Magalhães, Guimarães, Jefersons, Carneiros, Pittas, Ladrufs, Kassabs, Costas Neto, Sobrinho, Primo, Filho, Pai e Avô, Garotinhos, Garotinhas, Moluscos de nove dedos, etc etc etc, são apenas reflexos da hipocrisia popular numa sala de espelhos distorcidos (ou não).

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08/08/2011

Lei do Saco Orgânico Cheio

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , às 00:16 por Roger Lopes

É admirável a eficácia com que os benevolentes heróis da Távola Nacional suscitam malvados vilões e criaturas horripilantes para justificar medidas vampirescas de sangria tributária em nome do bem-estar social, colocando novamente no bosque encantado dessa fábula contemporânea, a donzela em apuros da vez, Lady Sustentabilidade. Bravos cavaleiros de reluzentes armaduras sociais, imponentes estandartes partidários e espadas legislativas afiadas elevam-se em seus radiantes corcéis relinchantes para liquidar o mais maléfico dos servos de Satanás, o horrendo megaloconsumidor inimigo das causas verdes.

O cacarejo dos papagaios de pirata ambiental de que o capim em breve não dará para todos, encontra eco nos preocupados representantes deste país tropical abençoado por corruptos e hipócrita por natureza, mas que beleza. E em fevereiro tem carnaval e afrodescendentes chamadas Tereza para cidadãos de nacionalidade britânica apreciar.

Nobres amiguinhos Wiccas comedores de alface, comove feito novela mexicana que o renomado Estado de Direito Totalitário Brasileño disponha de seu precioso tempo para elaborar legislações de indiscutível relevância ao futuro de seus servis eleitores, cônscios da importância de preservar o planeta para as próximas gerações, afinal este é o país da solidariedade, não é mesmo, ô da poltrona?

É de transbordar o Rio Amazonas as lágrimas de crocodilo emprestadas por essa corja de cínicos sacripantas e mesmo o saco do cidadão não sendo de plástico, já deveria estar irremediavelmente cheio de tantas baboseiras demagógicas instituídas neste feudo federativo.

Faz-se necessário supremo exercício de imaginação para admitir que alguém que não possua interesses escusos e de marketing pessoal, seja suficientemente ingênuo para crer, tanto em relação à draconiana “Inspeção Veicular Obrigatória”, quanto à ignóbil “Lei das Sacolinhas Plásticas”, que exista qualquer objetivo filantrópico maior do que simplesmente expropriar da onerada população mais um obolozinho em impostos e de quebra contribuir para o lucro dos amigões financiadores de ricas campanhas eleitoreiras, entre eles empresas terceirizadas de origem duvidosa, grandes montadoras e conhecidas redes de hipermercados.

O argumento de fiscalizar veículos automotivos visando melhoria das condições do ar e de proibir o fornecimento de sacos plásticos, a fim de minimizar o problema de decomposição de tais resíduos, não passa de meia verdade, ou no caso, mentiras inteiras para justificar mais um proctologismo governamental.

Mais deprimente que a retórica perdulária, apenas os aplausos idiotizados de programa de auditório advindos da turminha verde, que não enxerga um abismo à frente do nariz, sequer dando-se conta de quão títeres conseguem ser ao defender suas bandeirinhas autoritárias em defesa de um saudável mundo melhor. Viver no meio da selva rodeado por lobos (como se na metrópole fosse diferente), tomando banho frio, locomovendo-se de cipó e sem fast food quentinho, ninguém quer, não é mesmo?

05/07/2011

Trombetas Verdes do Apocalipse Now

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , , , , às 00:15 por Roger Lopes

A venda antecipada de ingressos para o “Is The End of The Word Festival”, maior evento midiático desde o “Genesis Pallooza”, tem gerado desde o século passado uma corrida desenfreada entre os diversos grupos protagonistas de arte messiânica alarmista em busca de um lugar sob as luzes armagedônicas da ribalta. Enquanto organizações malthusianas de todas as facções se acotovelam entre fundamentalistas e visionários charlatões, a Indústria Ditatorial do Verde há tempos desponta conduzindo teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.

Nada mais outsider e descolado no mundo contemporâneo do que bradar nos megafones a salvação planetária com seus grudentos clichês “Pequenas Ações Geram Grandes Resultados Style” ou então curtindo a página “Unilever Cada Gesto Conta”, no Facebobo, como se isso fizessse alguma diferença. Meus bagos ecológicos que fazem. Essa ladainha, por mais consciente que possa parecer, interessa apenas aos grandes grupos predatórios, aos Estados despóticos e às abomináveis Organizações Não-Governamentais subsidiadas pelo governo (um dia entenderei tal paradoxo). O restante dos ruminantes apenas segue a cantilena aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

Podem gritar, podem gemer, podem espernear os adeptos da demagógica “verdade inconveniente”, mas é claro e cristalino como as águas do Niágara, que o discurso do ativismo verde nada mais é do que show business reacionário. Princípio básico da economia liberal clássica, “Lei da Demanda e da Procura” ou quanto maior a oferta, menor o preço. Quanto mais escasso o produto, e consequentemente, maior a procura, preços e lucros na estratosfera. Sem livre concorrência, pois “Mão Invisível” aqui só se for na bunda da dona Flora e da senhorita Fauna.

Caso não tenha ficado devidamente óbvio, esclareço: recursos naturais são hoje produtos de consumo mais caros que qualquer outro, inclusive tecnológicos. Quando idiotas desinformados ou simplesmente manipuladores de opinião passam a bradar com suas trombetas apocalípticas ao fim iminente das dádivas naturais, os cifrões das bolsas de investimentos triplicam na proporção do preço dos vegetais, dos minerais, dos animais, da energia elétrica, dos combustíveis, da água, do oxigênio, do gás-carbônico e até da fotossíntese. E quem paga essa conta é você, ativistinha da ditadura esmeralda.

“Sustentabilidade”, eufemismo magnificamente disseminado pelos Goebbels da moderna propaganda ideológica ambiental. Não é difícil perceber como os maiores conglomerados em todos os segmentos, seja no dia mais claro ou na noite mais densa, tornaram-se Lanternas Verdes preocupados com a Terra.

Bancos, petroquímicas, laboratórios farmacêuticos, montadoras de automóveis, hipermercados, fabricantes de salsicha, consultoras Jequiti, cervejarias, pet shops, empresas de pasta de dente, concessionárias de telefonia e até partidos políticos possuem sofisticados ecoslogans bacanudos. “Use seu Green Ecological Blaster Card Plus e durma com a consciência ecossocial trânquila!”. “Compre um Ecomóvel 4×4 Diesel e deixe-o na garagem fazendo sua parte!”. “Celulares Biodegradáveis, tecnologia a favor do planeta”. “Carne é morte, o peido bovino destrói a camada de ozônio. Coma salsichas de capim e tenha um intestino sustentável!”. “Elemental, meu caro Al Gore!”.

Impossível esmiuçar num único artigo todo o fascismo contido na retórica ambiental. Retórica, pra quem não sabe, é uma técnica filha da puta, atualmente muito utilizada por mulheres e chantagistinhas mirins, introduzida na época das odisséias homéricas por Sócrates (o filósofo grego, não o jogador de futebol) em seus ensinamentos, que consiste em, corrijam-me se eu estiver errado, questionar reiteradamente o adversário, emputecendo-o ao ponto de perder as estribeiras, confundir-se e cair em contradição mediante tantos porquês disso e daquilo. Não por acaso, essa mania besta fez com que obrigassem o tiozinho a beber um balde de cicuta e fosse torrar o saco de seus ancestrais no Olimpo.

Dessa forma, a extremada e vazia ameaça ecoaporrinhadora, segue a lógica cabalística demográfica proposta por Thomas Robert Malthus, no final do século XVIII, cujos preceitos vaticinavam que se a população mantivesse crescimento em proporção geométrica (2-4-8-16-32) enquanto a produção de alimentos permanecesse em ritmo aritmético (1-2-3-4-5), antes do século XX não haveria comida suficiente e o planeta se transformaria em uma sociedade Texas Unplugged Chainsaw Massacre com Leatherfaces por todos os lados.

O cenário na versão ecológica é mais ou menos a mesma coisa, porém sem árvores, ar respirável, água potável, baleias, golfinhos, pandas, onças-pintadas, o mico-leão-dourado e a ararinha-azul. Como já se sabe o pensador não contou com as descobertas científicas no campo da agricultura e da indústria alimentícia, dos avanços tecnológicos, das guerras, genocídios e extermínios sistemáticos de parte da população por regimes fascínoras.

É reconhecido na história que nenhuma ditadura se completa sem a criação de um inimigo à altura. Nenhuma manipulação das massas é possível se não houver em quem jogar a culpa pelas agruras sociais. O totalitarismo, seja por meio do elixir da bordoada bem dada, seja por meio do prazer conquistado com doces e guloseimas. Seja pela retórica revolucionária de esquerda ou pelo discurso reacionário de direita, apresenta em suas mais variadas formas um único objetivo, o controle sistemático e a manipulação do rebanho.

Não cabe de forma alguma contestar que o apelo do heroísmo protecionista do ecossistema não seja uma causa das mais nobres, pelo contrário. Entretanto, são justamente os paladinos quixotescos quem inadvertidamente sempre fornece aos tiranos  longe da extinção e déspotas da pior espécie os meios para perpetuarem o absolutismo compulsório sobre a nação. Intromissões desprovidas de fundamento técnico em obras de interesse público, gerando superfaturamentos além do tradicional orçamento superfaturado e tributações demagógicas disfarçadas de inspeções preocupadas com a qualidade do ar é apenas a pontinha visível do iceberg derretido pelo aquecimento global dos quentíssimos discursos vegetativos.

08/05/2011

A Ditadura dos Ativismos Eufemisticamente Corretos

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , às 21:03 por Roger Lopes

Um belo dia Voltaire refletiu: “posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Apesar do aspecto cândido, tal pensamento está longe de adoçar o lábio da intolerância estampado nas novas faces sob os capuzes da inquisição contemporânea. Cônscio do poder das palavras e do estrago que causam quando usadas de forma irresponsável ou leviana, ainda assim é imprescindível defender a condição de que nada no mundo justifica o cerceamento da liberdade individual de expressão.

Vislumbra-se no horizonte o crescimento de um desvairado redemoinho de policiamento em nome desse modelo de ditadura do “politicamente correto”. Tal movimento blasfema diretamente contra o campo do debate de idéias e promove perplexidade diante da hipocrisia maniqueísta das atuais modinhas comportamentais. Idéias são perigosas, fato. Mas a ausência delas caracteriza o empobrecimento do espírito, cultura, crítica, arte, razão e, por conseguinte, do próprio povo como elemento de conhecimentos e valores humanísticos elevados.

Abandono aqui a subjetividade elegante para entrar de sola no assunto que me conspícua a alma, a recente ondinha de ativismosinhos ditatoriais cagando regras neste impávido colosso republicano, cinicamente representado como figura democrática liberal, apesar de exemplos evidentes como a mordaça imposta a humoristas e críticos durante as encenações circenses para o pleito de 2010, impedidos de tecer piadas ou jocosidades sobre os ilustres candidatos, demonstrar que estamos longe de viver no melhor dos mundos possíveis. Laissez Faire de cu é rola, afinal  incoerências desse porte são o mínimo que se espera desses excelentíssimos sacripantas. Gargalhar perante a cara de palhaço da sociedade pode, não é mesmo?

O exercício do cala-te ou te devoro é muito maior do que a vã filosofia voltaireana ousa sonhar. Este processo de novilingualização por meio de eufemismos para denotar etnia, opção sexual, credo, direcionamento ideológico ou social sugere apenas o uso pragmático das técnicas pavlovianas de condicionamento em suas cobaias caprinas para que não se afastem do rebanho. Das Cruzadas à Doutrina Bush, a História ilustra como a incômoda formação de grupinhos em defesa de causas supostamente nobres invariavelmente redundam em fogueiras para arderem como bruxos os detentores de opiniões contrárias às verdades incontestes dos que se proclamam perseguidos.

Perdidit antiquun litera prima sonum, “as primeiras letras perderam seus primitivos sons”. Deturpa-se o valor léxico das palavras para atribuir a elas uma conotação indecorosa, nem sempre existente, diga-se de passagem, nessa frenética busca por regalias legais em feudos institucionais. Nada contra a luta por direitos legítimos, mas bem sabemos o quanto é tênue a linha que cria proibições e criminalizações despóticas a fim de agradar demagogicamente a pequenas facções sem observar um contexto mais amplo. É por demais ilógico que o simples uso de verbetes seja julgado como algo de proporção tão hedionda, independentemente do contexto utilizado, porém é duplamente mais incoerente que um lado seja preterido, enquanto o outro desfrute das mais invariáveis concessões, alicerçado na suposição de uma frágil compensação histórica.

Quem hoje não defende a causa gay, automaticamente é rotulado como homofóbico. Contestar o fator meritocrático baseado na cor da pele se tornou racismo. Repudiar o pagamento de indenizações biliardárias a guerrilheiros comunas por total desserviço à nação garante o título de fascista. Comer carne vermelha é sinônimo de desumanidade. Não ter crenças religiosas é herético. Condenar o uso de força repressiva pela legalização de quaisquer substâncias proibidas pela empáfia governamental é crime de apologia. Não aceitar o coitadismo das políticas assistencialistóides premia com o notório emblema de reacionário. Preferir as comodidades do progresso e urbanização concede o estereótipo de Public Ecoplanet Enemy Number One. E até beijar a própria filha já sinaliza prática de pedofilia ou incesto.

Pelos Meus Santossacros Testículos, arautos dos exageros e guerrinhas insanas em nome das migalhas e privilégios disfarçados de justiças sociais, com o devido respeito pelo direito de pronunciamento de seus palavratórios de ordem, estejam de cu tomado. Fomentar a legitimação da guilhotina e do cadafalso como se fossem os novos profetas da razão absoluta, combatendo preconceito com preconceito ainda maior, nada mais é do que mero exercício de mediocridade totalitária. Defenderei até a morte o direito de dizerem o que bem entendem, mas não levantem estandartes para calar os que porventura não concordem com suas chantagens emocionais.

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28/04/2011

Gibi é Coisa de Criança

Enviado em Nem Tudo Está Perdido, O Melhor dos Mundos Possíveis tagged , , , , , , , às 00:38 por Roger Lopes

Gibi é coisa de criança. E se não é, deveria ser. Não pelo estigma imposto durante eras por pseudos-intelectualóides vaidosos empunhando catedráticos tomos técnicos ou gente limitada cujo maior esforço cognitivo se resume a digerir as notícias mastigadas de telejornais e tablóides tendenciosos, mas por ser um importante elemento propulsor de formação cultural. Que se pergunte hoje a pedagogos não mumificados por arcaicas teorias medievais, se não dariam um braço para ver a molecada idiotizada pelos big bostas, novelinhas fisiculturistas e outras bobagens do naipe, lendo uma boa história em quadrinhos.

Excelsior! Tratados em tempos remotos com evidente antipatia por educadores e afins, os quadrinhos conquistaram desde o final do século passado, espaço e respeito entre as classes eruditas, recebendo o status de nona arte e o devido reconhecimento literário por segmentos de reputação destacada como a revista Time, teses de escritores da estirpe de Umberto Eco e Álvaro de Moya e angariando importantes prêmios como o Hugo e o World Fantasy Award.

Paradoxalmente é justo entre as camadas detentoras de intelecto nível Groo e menos providas de senso crítico, acusadas de representar o público alvo desse segmento, que sua inserção encontra maior resistência.

No dia mais claro ou na noite mais densa é comum diferenciar dentro das principais formas de expressão como pintura, teatro, cinema, literatura, arquitetura e música as criações que reconhecidamente são tratadas como arte e as que são mero produto de entretenimento, porém raramente se escuta quaisquer depreciações generalizadas acerca do gênero em si, como ocorre diuturnamente em relação às HQs

É perfeitamente plausível a justificativa de falta de afinidade com a forma híbrida da arte sequencial, com seus balões e onomatopéias, mas é inegável que expressões debochadas do tipo “aff, gibis não dá!”, dita com a empáfia inerente de quem se julga muito culto, denota na verdade ignorância inconteste.

Shazam! Que caia um raio na cabeça desses patifes reprodutores de idéias hermeticamente pré-concebidas, cuja insensatez ainda encontra eco amplificado quase 60 anos depois do vil período em que o psiquiatra disfarçado de cientista louco, Fredric Whertan, por meio de sua obra “A Sedução dos Inocentes”, gerou ferrenha perseguição quase exterminando gênero tão prolífico, ridiculamente acusado de promover a deformação moral da juventude ianque pela perversa Caça às Bruxas Macartista.

Ainda assim, apesar dos exageros, ao menos este Hugo-A-Go-Go da Era Truman enxergava os comics com a seriedade devida, mais do que se pode esperar de acéfalos pretensiosos, que torcem o nariz sem qualquer conhecimento de causa. Apenas reavivando a memória dos mais amnésicos, as repudiadas bandas desenhadas haviam sido usadas anos antes, no auge da Segunda Guerra Mundial, com bastante propriedade, como propaganda ideológica antinazista, afinal quem sabe o mal que se esconde no coração dos homens, não é mesmo?

Pelos Demônios da Estígia, mas o que tem a ver essa reza por Mitra com a missa em nome de Crom? Para os incautos arquiinimigos (sem hífen, nova ortografia my eggs) do segmento, picas, afinal contextualização não é parte do processo simplório de apedrejamento, porém para aqueles que desenvolveram parte da formação para o alto e avante devido a esse segmento “menor”, tudo.

Que Norrin Radd e Shalla Bal me perdoem, mas este não é um assunto que a paixão permita abordar de forma sucinta, já que essas desajuizadas crianças crescidas trabalham, estudam, discutem e desenvolvem teses universitárias, escrevem colunas em blogs, jornais e revistas, elaboram roteiros para cinema e séries de tevê e, não obstante, ainda perdem considerável tempo e dinheiro para encontrar nos subestimados gibis, autores bobos como Maurício de Souza, Ziraldo, Walt Disney, Charles Schulz, Bill Watterson, Jim Davis, Quino, Laerte, Angeli, Glauco, Robert Crumb, Will Eisner, Guido Crepax, Milo Manara, Alan Moore, Neil Gaiman, Frank Miller, Goscinny e Uderzo, cheios de idiotas referências literárias, políticas, históricas, artísticas, mitológicas, filosóficas, musicais, cinematográficas e até sociais em detrimento dos instrutivos noticiários vídeoclípicos, irretocáveis diálogos telenovelísticos e sofisticadíssimos miserality shows. Por Tutatis! São mesmo loucos esses romanos.

No Brasil o termo gibi adquiriu conotação tão pejorativa, que hoje até os mais apaixonados o renega, fazendo questão de esclarecer que “Gibi” era uma publicação tupiniquim lançada no final da década de 30, tornada sinônimo de revistas em quadrinhos por causa da notoriedade alcançada na época. Acerca de tal demérito nem Odin ousas tentar compreender o porquê.

Deixando as elucidações semânticas de lado, retornemos à afirmativa do preâmbulo. Decerto quadrinhos é coisa de criança e se todas no país os lessem, certamente não ostentaríamos a vexatória marca de um dos maiores índices de analfabetismo pleno e funcional do mundo, pois com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Todavia, chega de sonolentas considerações pedagógicas, pois já merece um anel energético quem conseguiu chegar até aqui sem passear pelo reino onírico de Morpheus. “Aff, gibis realmente não dá!”.

Publicado originalmente em Quadrinhos e Blá Blá Blá (Agosto/2010)

26/04/2011

Lei de Diretrizes e Bullyings da Educação Nacional

Enviado em Neopessimista tagged , , às 00:29 por Roger Lopes

Na falta de crianças atiradas de edifícios e namoradas de jogadores servidas como aperitivo aos cães, o oportunismo sensacionalista encontra agora na tragédia do colégio carioca o filão mórbido para elevação dos índices de audiência até que surja outra comoção nacional para inserir no horário nobre entre uma novela e outra. Dessa forma, o grande mote entre os achólogos atende no momento pelo elegante anglicismo conhecido como Bullying, prática de intimidação que vem ocorrendo principalmente nas escolas.

Apesar de não ser um fenômeno social inédito, é compreensível que os rumos da situação supliquem hoje por extensas delongas sobre o assunto. Todavia, o que não causa nenhuma estranheza, é a omissão dos “expertises” em abordar o tipo mais vil dessa prática, o Bullyng Educacional do Governo, que troça, agride e humilha não apenas os alunos, mas a toda classe docente e a sociedade em geral.

Políticas de emburrecimento perversamente premeditadas, baseadas em bazófias construtivistas repudiadas no mundo inteiro (inclusive no próprio país de origem), mas que nos solos desta mãe gentil caiu como luva para soterrar de vez um modelo que se nos áureos tempos já não era dos melhores, ainda assim o esforço coletivo conseguiu piorar exponencial e sistematicamente.

É evidente que esforços e investimentos nesta área nada possuem de altruístico, visando apenas demonstrar comparativos numéricos a fim de mascarar a ineficiência da ridícula Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, que suprime a autoridade de professores e concede um poder desproporcional a moleques púberes em processo de formação e sem a devida maturidade social, criando um bando destrutivo de gárgulas descerebrados, incapazes de qualquer análise crítica ou consciência ética e limitados em seus cabrestos apenas para apertar botões durante pleitos circenses ou votar no paredão do Big Bosta Brasil.

Mas o ataque dos representantes do Estado na área educacional não é fortuito. De sociólogos a semi-analfabetos, desde a maledicente catequização os diversos crápulas eleitos pela crendice popular cravaram suas britadeiras nessa fragilizada estrutura, sendo praticamente impossível elencar as inúmeras manipulações no sentido de destruir o pouco de ensino promovido no país.

Certamente que os ativistas acadêmicos aliar-se-ão aos gabinetes de burocratas comissionados em troca de favores partidários para levantar gládios na defesa de blasfêmias conceituais tratadas como idéias inovadoras e modernizantes, evocando a especialização para o exigente mercado de trabalho, fim dos índices de reprovação e diminuição da evasão escolar, como se objetivos tão prosaicos fosse indicador de solução para o problema, mas isso talvez se justifique por esses eméritos sofistas terem sido garotinhos “paga-lanche” que esgueiravam-se pelos corredores escolares, numa época em que o verbete Bullying ainda era desconhecido de nosso atual tratado ortográfico colonial.

22/04/2011

Uma Pequena Fábula Doutrinária

Enviado em O Melhor dos Mundos Possíveis tagged , às 13:50 por Roger Lopes

Salve estimados súditos e nobres do Castelo Republicano da Westphalia Tupiniquim. Meu coração retumbante se comove com as recentes propagandas alardeadas por nossos príncipes acerca dos glamourosos investimentos na Educação da famélica e andrajosa plebe desinstruída. Pilar dos reinos civilizados em contraste à selvageria dos povos bárbaros. Tão corajoso ato de benevolência com o desafortunado rebanho e de magnânima austeridade contra intelectuais irascíveis que se recusam a adotar como modelo a postura de meu voluntarioso mestre Pangloss, cujos ensinamentos eram regiamente remunerados apenas com pão e água, para evitar que perecesse de inanição, leva-me a crer fervorosamente que vivemos indiscutivelmente no melhor dos mundos possíveis.

Deleito-me com as campanhas de difamação, humilhação e açoite público destinadas aos insurgentes que se auto-proclamam professores, querendo manter de forma egoísta o conhecimento perene que levaram décadas para adquirir e, ainda por cima, exigindo de nossa realeza que compartilhe com eles a ínfima parte dos tributos arrancados do aguerrido populacho, sendo falaciosa a afirmação de que nossos príncipes os desmotivam a ensinar os animais bípedes deste quintal globalizado. As belas palavras de comiseração, os slogans bem construídos, as emotivas e singelas canções de fundo e as simpáticas coreografias antes da retumbante descida das cortinas, magistralmente elaboradas por nossos menestréis publicitários, deixam meus olhos míopes tão marejados quanto mediante o vislumbre do rosto maquiado de minha amada Cunegunda, por mais que palácios invejosos como o Unesco, insistam em afirmar que os resultados conquistados por nossos regentes sejam pífios. Como se fosse fácil ensinar burro a beber água.

Reclamam de barriga cheia de ar esses ingratos educadores. pois, eu que já sofri as agruras da chibata por amar a virtude, sei que tudo está bem mesmo quando tudo está mal, afinal a implantação dos programas de valorização por produtividade compensa o envelhecimento precoce do pão, a contaminação da água e a labuta incansável dos adoradores da insanidade socrática em campos de tortura denominados Escola, causando-me tamanha repulsa a atitude iluminista dos docentes deste Castelo, que nem me darei o luxo de elucubrar as modernas doutrinas construtivistas trazidas de além mar, cujos territórios sapientes as abandonaram por simples pragmatismo há tempos, pois não tiveram a majestosa criatividade dos alquimistas da Westiphalia, que como o glorioso Midas transformam tudo em que tocam em ouro-dos-tolos.

Originalmente publicado no site Negação Lógica (junho/2010 )

17/04/2011

Meretríssima Lady Constituição

Enviado em Neopessimista tagged , , , , , , , às 22:23 por Roger Lopes

Princípio conceitual básico, nem tudo que é legal é moral, nem tudo que é moral é legal e nesta Land of Oportunity geralmente tudo que é legal ou moral não é necessariamente ético. Não é premissa aprofundar aqui tais teorias filosóficas, pois para isso existe uma caralhada de obras de grandes pensadores melhor embasados do que as vãs pretensões deste artigo. Quem estiver interessado, que abandone o aprendizado fast food osmoseático gentilmente capitaneado pelo modelo educacional construtivista das escolas autóctones brasileiras e vá pesquisar a respeito.

Entretanto, faz-se premente alguns exemplos ocorridos sob o céu da pátria neste instante, como o espetáculo pirotécnico do evento “Ficha Limpa”, onde o Supremo Tribunal Federal (STF), evocando o Monstro Frankensteiniano Constitucional, permitiu que candidatos corruptos (como se houvesse de outra laia), escolhidos pela última ignominiosa circense electione assumissem as cadeiras de representantes. É mais do que desejável que idoneidade e caráter sejam exigências mínimas para compor cargo público, mas como na Joan Mother’s Home tais atributos são mais raros que diamante, assiste-se ao absurdo dessa celeuma por regulamentação oficial específica.

Permito-me usar as palavras de Rousseau para exprimir minhas próprias impressões: “A idéia de Representantes é moderna: ela nos vem do governo feudal, desse iníquo e absurdo governo no qual a espécie humana se degrada e o termo homem é desonrado. O povo pensa ser livre; está muito enganado, pois só o é durante a eleição dos membros do parlamento; tão logo estes são eleitos, ele é escravo, é nada. Nos curtos momentos de sua liberdade, o uso que faz dela mostra bem que merece perdê-la. ”

Não tão filosófico, porém igualmente ilustrativo é o vaticínio da nostálgica banda Plebe Rude, nativa da capital mundial da corrupção conhecida como Planalto Central, nos idos da década de 80, sobre os meandros das articulações legais: “A Justiça é tão bela, se funcionasse só uma vez. A lei não ressuscita, burocratiza o que eu já sei.”

A grande questão é que a decisão dos excelentíssimos desembargadores, apesar de todos os amparos normativos, deixa de atender claramente a um clamor nacional pela moralidade e ética, justificando que “a iniciativa popular é mais do que salutar, desde que em consonância com as garantias constitucionais”. Muito convenientemente nobre da parte do eminente jurista defender sob as luzes dos holofotes midiáticos a honra ofendida da jovem Lady Constituição, mas permitindo que os cafetões mandatários do país a prostitue em bel prazer nos bastidores pornográficos por trás das câmeras.

Longe deste incrédulo acreditar na boa vontade de qualquer um destes corruptos congênitos, que em uma nação séria e menos indulgente ocupariam cela engradada ou teriam a mão amputada para não mais se aproveitarem da miserabilidade humana, todavia as raras decisões corretas desta corja devem ser enaltecidas, independentemente das razões escondidas em seu âmago.

Ressalto aqui o Projeto de Lei do recém-empossado presidente da Câmara de Vila Velha – ironicamente beneficiado pelo corporativismo na decisão do STF sobre a questão “Ficha Limpa” - proibindo que passageiros sejam conduzidos em pé nos transportes coletivos da cidade, já que o Código Nacional de Trânsito dispõe sobre a obrigatoriedade do uso de cintos de segurança em todo e qualquer veículo automotivo. Tal medida, que nada mais faz que apelar para a legislação vigente, acende uma discussão que mexe com o pilar de um dos piores sistemas de serviços públicos do país, o transporte coletivo, e a “inexplicável” subserviência governamental com empresas desse setor, ao respeitar a meretríssima constituinte, que diz ser Direito do Cidadão e Dever do Estado um transporte público adequado e de qualidade. Por favor, grife-se aqui a palavra “qualidade”.

Obviamente que a voracidade do lobby empresarial já sacou seus curingas parlamentares da manga para barrar a proposta, alegando suposta inviabilidade técnica e fiscalizatória, pois o custo do serviço é baseado na superlotação das latas de sardinha sobre rodas. O leitor atento provavelmente percebeu a armadilha semântica na substituição sacanamente premeditada do termo “lucro” por “custo”. E se Malandro é Malandro e Mané é Mané, podes crer que é, me pergunto por que desta feita o ego inflamado dos altivos cavaleiros de toga não vieram em salvaguarda de sua indefesa Prostituinte.

Paradoxos do destino a parte, o pior da história é assistir ao próprio populacho condenar uma medida que visa tratá-lo com um mínimo de dignidade, em razão do medo absurdo de que falte ônibus para atender às demandas ou que o preço da passagem se eleve substancialmente, condição que só ocorre devido à própria apatia dos usuários em fiscalizar e cobrar.

 Mas como tudo já acena para a preservação do status quo caprino, só nos resta retornar ao velho pensamento rousseaniano quando afirma que “as almas baixas não crêem de modo algum nos grandes homens: escravos vis sorriem com um ar de troça à palavra liberdade. O cristianismo prega apenas servidão e dependência. Seu espírito é por demais favorável à tirania para que esta não se aproveite sempre dele”.

03/04/2011

Método Ludovico Para Um Admirável Brazil Novo

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , , , , às 22:32 por Roger Lopes

Alguns pessimistas leais perceberam o enorme hiato entre o último desabafo desesperançado deste implicante incrédulo e o momento presente. Obviamente que esta catatonia não deriva nem em sonho doce de padaria pela ausência de matéria-prima digna de irritar ao mais pollyanesco dos seres sapiens, mas pelo simples resfriamento do magma biliar após sucessivas erupções vulcânicas contra o escárnio desta Pompéia Federativa da Corrupção Nacional.

Dir-se-ia que a felicidade é cortejada pela ignorância, razão pela qual me permiti por algum tempo ser voluntário no processo behaviorista de lobotomização estilo “Ludovic Experiment”, impondo-me tamanha náusea e repugnância perante o exercício da cognição e aceitando o modelo do conformismo junto a imutável credulidade da opinião pública em relação às atrocidades governamentais, para inserir-me neste Admirável Brazil Novo, esplendidamente decantado pela conivência dos canais midiáticos.

Cabe, portanto, acreditar que vivemos sob os raios fúlgidos do tal sol da liberdade ou admitir que a única salvação possível para esta versão republicana de Sodoma e Gomorra se dará exclusivamente por meio da chegada de um meteoro anunciado pelas trombetas dos quatro cavaleiros do apocalipse, consumindo em chamas e enxofre até as baratas vestidas com a camisa da seleção canarinho, para que nada mais procrie nesta terra abençoada pela safadeza.

Afirma a máxima que o silêncio fala mais alto que gritar. Ledo engano, afinal é exatamente a mordaça despótica aplicada às poucas vozes insurgentes e a demagogia da pseudo-democracia que esconde os grilhões de chumbo, nos fazendo deitar sob o julgo feudal de uma oligarquia política descendente de genitoras de cunho sexual mercantil moralmente discutível, sem permitir ao país acordar do coma em que se encontra.

Mas deixando as justificativas de lado, vamos aos fatos. Incentivado por alguns leitores inexplicavelmente simpáticos às minhas rabugentices cronísticas, joguei fora a planta da felicidade, postei-me frente ao meu companheiro cibernético de cela, liguei o aparelhinho condicionador de cordeiros e bovinos e processei rápida atualização sobre as últimas putarias Made in Brazil. E o que parecia mais árduo que os doze trabalhos de Héracles, mostrou-se mais fácil que os gregos enfiarem um cavalo de madeira rabo adentro daquela antiga polis troiana subjugada pela própria ambição. De início, nada de novo no front; taxa de juros na estratosfera, elevação dos benefícios da parasitária corja política, celeuma teatral para conceder mísero aumento ao mínimo salário mínimo, permissão da inútil Agência Nacional de Energia Elétrica (ANAEL) para as concessionárias sanguessugas reajustarem tarifas a bel prazer, mais e mais sangria de impostos para a farra do dinheiro público e assim por diante.

Entretanto, a primeira pérola jogada à suinidade latente veio em estapafúrdia propaganda partidária, cuja desgranhenta sigla fisiológica me recuso a pronunciar, pois esses desclassificados não merecem de minha parte sequer publicidade negativa, onde um proxeneta sorridente sugere a aviltante balela de que existem bons e maus políticos e que por conta deles o país caminha em direção a uma onda de mudanças e justiça social. Que morram em eterna agonia esses salafrários. O ápice da hipocrisia encontra seu amparo na genialidade do slogan: “Se os seus amigos dizem que nada vai mudar, não mude de idéia, mude seus amigos!”. É preciso dizer mais?

Enquanto as efervescências gástricas me corroíam em poucos segundos de exposição televisiva, o intervalo comercial seguinte anunciava que para azia, queimação e indisposição estomacal, Epocler é alívio imediato e persistindo os sintomas, um médico deverá ser consultado. Indago se essa estratégia não faz parte daquela tal venda casada à qual se referem os órgãos de defesa do consumidor.

Apenas isso já estava de bom tamanho para este editorial, mas a abstinência de ódio queria mais. Mantive a caixinha de circuitos eletrônicos integrados torpedeando informações provenientes da sucursal do inferno na Terra e em pouquíssimo tempo, novo golpe. Dessa vez um achólogo nobremente preocupado com as condições climáticas aferia que “o carro é um belo símbolo do individualismo!”. Não pude conter um “vai tomar no cu” e decidi que isto fica como assunto a ser abordado detalhadamente em outra oportunidade, afinal o governo adora o discursinho ambiental demagógico e vazio, tanto que criou um imposto para inspecionar veículos malvados que agridem o indefeso meio-ambiente. Altruístas eles, não?

Mas as estomatites ainda não encontravam-se em ponto de ebulição até o anúncio da tão aguardada “Reforma Política”, que retira ainda mais o pouco controle da sociedade sobre a hedionda escória politiqueira, para dar a estas um absolutismo monárquico somente comparável ao dos grandes tiranos da história.

Evidentemente estas linhas não farão qualquer diferença na condução ou intervenção dos acontecimentos, mas servem como registro histórico do surgimento embrionário de um sistema totalitário na terra do carnaval por meio da subtração e cerceamento de direitos coletivos e individuais. Que não se reclame depois quando o Grande Irmão estiver olhando por você.

07/02/2011

Alea Jacta Est

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , , , às 23:33 por Roger Lopes

“Os dados estão lançados”. Temida pelos adversários, a célebre frase promovida por Júlio Cesar em suas audaciosas campanhas dedicadas a Marte prenunciava as inevitáveis conquistas romanas (exceto contra aquela irredutível aldeia de loucos gauleses dos quadrinhos) banhadas em glóbulos vermelhos, enquanto os deuses do alto de sua morada olimpiana jogavam com a sorte da humanidade.  Seja o que Zeus quiser, todavia não custava nada ao invejável estrategista dar uma certificadinha de possuir o maior, mais bem equipado e devastador exército da época, afinal a Cesar o que é dele e a Zeus o que é de Zeus. No entanto, mostra a página dois da história que nem mesmo os desígnios de Júpiter e Cia impediram que Roma sucumbisse à própria decadência moral e corrupção desenfreada.

Séculos se passaram, mas velhos hábitos permanecem independentemente da idade avançada de Chronos, sendo os dados hoje  manipulados por deuses amorfos desprovidos da imponência mítica dos antigos, porém muito mais ávidos, vaidosos, cruéis, vingativos e habilidosos na condução dos rebanhos, apresentados sob as pomposas alcunhas de Mercado Financeiro, Política Monetária, Controle Inflacionário, Austeridade Fiscal, Superávit Primário,  Elevação Tributária, Reformas dos Sete Mil Infernos, Burocracismo Totalitário, Engodos Legislativos, Assistencialismo Barato, Maniqueísmo Sustentável e Descaso Social.

A estas divindades contemporâneas brindam nossos atuais imperadores, bebendo o sangue dos cordeiros humanos em seus macabros rituais de sacrifício, eufemisticamente chamados de tragédia pela Vênus Midiática em seu altar de adoração televisivo, pois enquanto o titã Caos assola a nação com seus quatro cavaleiros ambientais do apocalipse, oráculos governamentais brincam de adivinhação atribuindo culpa à fúria dos deuses da natureza e à falta de crença dos críticos pagãos.

Por Mercúrio, Divindade Protetora dos Ladrões! Enquanto investimentos em infra-estrutura, políticas de prevenção e combate à corrupção são coisas do tempo dos cesares, a nova ordem mundial agora são as orgias e bacanais com dinheiro público em nosso dionisíaco Congresso Nacional, que rouba dos sacrílegos contribuintes até o óbulo dos olhos da cara destinado a Caronte na travessia do Estige rumo ao reino de Hades.

Ave Cesar, Morituri te Salutanti

Alea Jacta Est!

09/11/2010

Entre o Dente e a Mandíbula

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged às 10:59 por Roger Lopes

Pior do que o espírito pessimista é a resignação mediante a percepção de que mudanças positivas na cultura simplória do país é mera utopia. Até onde foi possível, me omiti das campanhas politiqueiras e do patético processo eletivo incentivado por propagandas oficiais maniqueístas, visando convencer o populacho da importância do voto útil para esta ilusória democracia.

Democracia amparada apenas pelo voto direto, desassociada da equidade social e monetária, liberdade de expressão e desenvolvimento intelectual e sustentada pela manipulação corporativa, escravização midiática, opulência de poucos e miserabilidade de muitos, nada mais é que arremedo eleitoreiro.

Por singela questão de princípios, não dou meu voto a filho da puta nenhum, pois caso nunca tenha dito, político bom é político morto e exercer cidadania é exterminar um amaldiçoado desses por dia. Esta aberta a campanha, quem se habilita?

A polarização entre partidos fisiológicos sem qualquer ideologia que não seja abocanhar os cada vez mais vultosos recursos da economia brasileira, com objetivos bem diversos aos alegados investimentos no futuro da nação, não deixa muitas escolhas aos eleitores.

As supostas opções remetem à questão, é preferível ser devorado por um gigantesco crocodilo do Nilo ou dilacerado por um enorme tubarão-branco na costa australiana? Sei lá, a única certeza é que diante de tais leviatãs a paralisia é inevitável e mesmo sobrevivendo aos ataques, as sequelas serão terríveis. Estas são as hipóteses que as eleições neste Brasil varonil nos dão, ser abocanhado pelos grandes dentes peessedebistas ou pelas largas mandíbulas petistas. De um jeito ou de outro, estamos irremediavelmente fudidos.

28/09/2010

Desrespeitável Público

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , às 15:24 por Roger Lopes

Desrespeitável público, o circo está de volta à Terra da Bandalheira. Tem bandeirinha, corneta, pipoca e picadeiro. Tem alegria, muita diversão e, claro, palhaços a dar com o pau. Dos dois lados do palco. E cidadão que sou, mais uma vez fui convocado para ser voluntário no maior espetáculo da terra, o processo eletivo brasileiro, pilar da democracia. Pois sim, joguem areia em meus olhos.

E como não poderia deixar de ser, a trupe de picaretas querendo se fartar a custa de cargos públicos cada vez aumenta mais. Apresentadores de rádio e televisão, jogadores e dirigentes de futebol, boxeadores decadentes, promotores que usam casos sensacionalistas para se promover e até atores e atrizes pornôs ganham o horário eleitoral “gratuito”. Não sei se é pra rir ou chorar.

Já que não pretendo contribuir para essa picardia votando em filho da puta nenhum, procurei ficar incólume dessa ridícula corrida eleitoreira. Entretanto, por mais que quisesse, não consegui fugir do assunto do momento, a campanha irreverente do palhaço Tiririca a Deputado Federal e a caça às bruxas que se forma no horizonte.

Longe de querer ser advogado da malandragem disfarçada de sorriso, mas é evidente que por um breve instante a piada sem graça tirou a sociedade de sua contumaz letargia. As questões levantadas com pilhérias do tipo “Você sabe o que faz um deputado? Nem eu”, de forma inesperada isqueirou a fagulha do questionamento no povinho abestado e arranhou a imagem engravatada de todos os pilantras que enveredam pelo caminho do fomento à miséria denominado política.

Prova disso é o ofício expedido pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo à Justiça Eleitoral, visando tirar o menestrel Tiririca de cena, em razão de uma possível ocultação proposital de bens pessoais à Justiça, enquanto outras correntes propõem banir o comediante enquadrando sua campanha por infração ao artigo 5º da resolução 23.191 do TSE, que diz: “A propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais (Código Eleitoral, art. 242, caput)”.

Entretanto, impugnar a candidatura do palhaço com base nessas considerações seria um verdadeiro tiro no pé da panfletagem eleitoreira oficial e do pseudo processo democrático, suprimindo o direito à liberdade de expressão, pois todo brasileiro sabe que seus representantes políticos são arlequins corruptos trajando ternos Armani. Tiririca apenas se veste adequadamente para o circo que é a política nacional, mas o modelo propagandístico orwelliano não permite macular a imagem do Grande Irmão Eleitoral. Como diria o velho ditado, só dói quando ele ri.

Partindo do princípio De Gaulle de que a Joan Mother’s Home não é definitivamente um país sério, é óbvio que a mediocridade cultural do povinho fútil, retardado, fraco, promíscuo e corrupto, não apenas elegerá o bufão como seu representante, mas propiciará a ele uma das mais representativas soma de votos de todos os tempos. Quem duvida põe o dedo aqui, bem no fogo da hipocrisia brasuca.

Dedadas no rabo a parte, o governo gastou uma fábula para convencer o populacho da seriedade deste processo de escolha sem credibilidade alguma e de repente se viu surpreendido com um tabefe na fuça, dado pelas verdades ditas pelo candidato polichinelo, pois este não é pior do que nenhum dos safados que se perpetuam ad infinitum no poder à base do tradicional pão e circo. Afinal, como ele próprio afirma, “pior do que tá, não fica”.

27/07/2010

Pessimistas Notáveis – Mr. Alan Moore, The Extraordinary Gentleman

Enviado em Nem Tudo Está Perdido tagged , , , , , , , , , , às 16:26 por Roger Lopes

Excêntrico em sua genialidade arcana, Alan Moore coleciona os mais variados adjetivos em torno de sua peculiar e sombria figura. Responsável por alçar exponencialmente um segmento tão discriminado quanto as Histórias em Quadrinhos ao status de nona arte, o escritor britânico desfruta, no entanto, do estereótipo de pessimista birrento irredutível ao extremo. Não lhe cabe, todavia, o rótulo de reles rebelde sem causa. Politizado e culto, Moore denota autêntica ojeriza ao establishment e abdica de qualquer apego monetário em respeito às suas criações e fiéis leitores, mandando às favas as sedutoras promessas materiais do paraíso capitalista por um punhado de sua alma. Implacável contra o despotismo, despreza todo tipo de autoridade e poder constituído.

Autor de cultuadas obras, a maioria de indiscutível valor literário como “Watchmen”, “V de Vingança”, “Do Inferno”, “Monstro do Pântano”, “A Piada Mortal” e “A Liga dos Cavalheiros Extraordinários”, o senhor do caos não faz qualquer esforço para esconder sua antipatia pela massificação cultural. Apesar de ativista dos direitos autorais, recusa inadvertidamente ter o nome creditado nas quase sempre hediondas versões cinematográficas inspiradas em seus trabalhos e destila todo veneno possível no melhor estilo não vi e não gostei. That’s it, my friend, não é preciso comer merda pra saber que a coisa é pouco palatável.

Nada afeito ao mainstream, o barbudo dos pântanos esconde-se dos holofotes na cidadezinha de Northampton, onde cresceu em meio a privações e dificuldades financeiras, mas que se recusa terminantemente a abandonar, sendo personagem constante nos tradicionais pubs, apesar da fama de recluso e mal-humorado. Suas inúmeras referências incluem notáveis da estirpe de Crowley, Nietzsche, Orwell, Lovecraft, Blake, Stevenson, Koestler, Poe, Dante, Goethe e Huxley, que não simbolizam necessariamente o pensamento feliz e positivo dos disseminadores de correntes amigas na internet. Ao contrário, são realistas arautos da desesperança e da crítica impiedosa.

Apegado a coerentes e distintos valores filosóficos, morais e místicos, mandou recentemente a poderosa DC Comics enfiar uma proposta sem precedentes, literalmente no anal da história da grande editora. Assim como Rorschach, seu mais carismático personagem, o homem é inflexível. Não faz concessões. É preto no branco. Sem meio tom, sem cinza. Afinal, o cara tem uma péssima e amedrontadora imagem a preservar.

Sugestões em Gotas

Esqueçam as nefastas adaptações cinematográficas. São todas lixo oportunista da pior qualidade. Fique com os originais.

O Monstro do Pântano (The Swamp Thing, 1984)

Criado por Len Wein e Berni Wrightson na década de 70, o “Monstro do Pântano” encontrava-se prestes a ser cancelado quando caiu nas criativas mãos de Alan Moore. Modernizando o conceito de quadrinhos de horror e inserindo complexas temáticas sociais, sexuais e ecológicas, o sombrio cavalheiro alçaria o obscuro personagem à condição de sucesso de crítica e público. O estilo lovecraftiano adotado é grata homenagem ao maior escritor de contos de terror e suspense de todos os tempos. Destaque para os arcos de histórias “Lição de Anatomia”, onde inicia-se a nova concepção elemental do herói e “American Gothic”, que viria a parir o misterioso e cínico John Constantine e jogá-lo na já conturbada vida do pantanoso.

V de Vingança (V for Vendetta, 1982/1988)

Ambientada num distópico futuro orwelliano de 1997, essa obra publicada na década de 80, se desenvolve em clima quase operístico em torno da figura enigmática e teatral de V, um frio e calculista libertário, com máscara e traje inspirados no notório anarquista Guy Fawkes, que tencionava assassinar o rei protestante Jaime I e mandar pelos ares os membros do parlamento britânico,  no evento que ficou conhecido como “Conspiração da Pólvora”, sendo capturado e enforcado por traição no dia 5 de Novembro de 1605, data celebrada hoje  como “Noite das Fogueiras”. Permeada das mais variadas referências artísticas, culturais, políticas, históricas, literárias, musicais e até religiosas, V de Vingança é um libelo contra a opressão promovida por sistemas de governo despóticos e totalitários, com evidentes alusões ao regime conservador imposto pela era Thatcher na Inglaterra.

Watchmen (Watchmen, 1985)

Considerada pela crítica especializada como a criação máxima dos Quadrinhos, Watchmen não apenas revolucionou todas as técnicas narrativas e estéticas do gênero como sacramentou definitivamente a desconstrução de todo o conceito existente sobre super-heróis. Acumulando os principais prêmios voltados ao segmento, como o Eisner Awards e o Prêmio Kirby, é a única HQ a conquistar o Hugo Award, voltado exclusivamente para obras de literatura e a constar na lista dos 100 melhores romances do século XX da Revista Time. Qualquer análise, por mais ampla, configura-se superficial e redundante perante a ousadia da questão definitiva: “Who Watches the Watchmen?”

A Piada Mortal (The Killing Joke, 1988)

Concebida para ser uma simples história dentro da cronologia do Batman pós-Crise nas Infinitas Terras, sob a regência de Moore resultou num verdadeiro show de insanidades e teorias psicanalíticas junguianas promovida por um perturbado Coringa e uma das mais ilustres graphic novels já produzida, influenciando diretamente o personagem interpretado por Heath Ledger na única adaptação razoável do Homem-Morcego para a película.     

Do Inferno (From Hell, 1991)

A história de Jack, The Ripper pelo olhar quântico do senhor do caos só poderia redundar na superação do genial escritor. Fomentada em dez anos de exaustiva pesquisa, “From Hell” liga elementos conspiratórios e rituais ocultistas da era Vitoriana ao mais ilustre serial killer de todos os tempos. Revisitando os famosos crimes de Whitechapel, Moore transcende não apenas os mitos e especulações  acerca do assassinato das miseráveis vítimas, como viaja pela física arquitetônica, simbolismos maçônicos e contexto político darwinista, cuja preservação das aparências da espécie dominante se sustenta pela eliminação sistemática dos dominados. 

A Liga dos Cavalheiros Extraordinários (The League of Extraordinary Gentlemen, 1999)

Referências, referências, citações, ação e mais referências com personagens clássicos da literatura britânica combatendo o mal (ou não, dependendo do ponto de vista). Pequena demonstração da versatilidade do cavalheiro.

A Voz do Fogo (Voice of the Fire, 1995)

Você que irá adentrar essa obra profana abandone todas as esperanças. O senhor Alan Moore definitivamente não faz concessão aos tradicionais “era uma vez” e “viveram felizes para sempre”. Tampouco subestima a capacidade de seu séquito com guloseimas de fácil degustação. Não, assim como nos trabalhos anteriores que o consagraram, em “A Voz do Fogo”  os convencionalismos também são dispensados, desafiando o leitor a capinar as inúmeras referências escondidas sob o soalho de datas, nomes, fatos, locais e acontecimentos históricos. Em doze assombrosos contos intercalados que convergem em uma única voz fomentada por cumplicidades, traições, assassínios, torturas, perversões sexuais, pesadelos, vinganças, fantasmas, escatologias, humor negro e toda sorte de augúrios, às vezes surreal e sempre corrosivamente macabro, enveredando pelo lado arcano das mitologias, cultos e rituais pagãos, misticismo, religião e influências góticas, sem prescindir dos contextos políticos e históricos característicos. Imprevisível como só a mal humorada genialidade britânica do tétrico barbudo pode conceber, mantém o nível complexo dos principais escritos do autor, sendo pouco atraente ao gosto dos menos iniciados e desaconselhável para simplórios e afins.

A Paisagem Mental de Alan Moore (The Mindscape of Alan Moore)

Excelente documentário sobre a vida, obra e idéias do sinistro mago dos quadrinhos, narrado por ninguém menos que o próprio.

Inebriante. Tome um Engov antes e dois depois. 

Persistindo os sintomas um xamã deverá ser consultado.

 

17/06/2010

Análises da Copa – Engodo Ibérico

Enviado em O Melhor dos Mundos Possíveis tagged , às 16:37 por Roger Lopes

Enquanto as sépticas campanhas eleitoreiras aguardam o fim da Copa Desmundo de Futebol para pegar fogo e incinerar meu pobre sistema gástrico, darei uma pausa no pessimismo desenfreado, por conta da ignóbil seleção caralhinho, afinal o populacho da Joan Mother’s Home só é patriota de quatro em quatro anos mesmo.

Entretanto, nesse momento de ufanísticos todos juntos vamos e correntes pra frente, não é o selecionado de amigos do Ricardo Teixeira que orientam minha dependência em chá de boldo, mas o notório desprezo do articulista pelos dois maiores engodos futebolísticos do planeta.

Sempre apontados como favoritos ao título do maior evento esportivo do mundo (por mais que os norte-americanos afirmem que é o golfe), os patéticos selecionados advindos da insignificante Península Ibérica, Portugal e Espanha, contrariam qualquer fundamentação plausível para isso.

Do ponto de vista histórico, as duas porcarias de nações, por alguma tragédia do destino, aportaram justamente neste continente quando ainda era uma região autóctone, deixando uma maldita herança católica, subserviente e corrupta. São famosas, inclusive, por ter “descoberto” o ambiente natural mais rico do planeta (eufemisticamente batizado de Novo Mundo) e só ter cagado nele durante todo o período de colonização.

Os lusitanos que cá vieram estuprar nossas índias, escravizar negros e enfiar no cu todo o ouro que conseguiram roubar, deixaram como legado as panificadoras e um timeco de desportos, que como a própria seleção do país deles, só entra nos torneios para atrapalhar. Conquanto, não bastasse terem aprontado as mais variadas putarias, ainda trouxeram um cuzão chamado Pero Vaz de Caminha que fez a merda de relatar que aqui “se plantando, tudo dá”. Principalmente, bosta.

Bunda-moles por excelência, nunca foram potências em nada (nunca serão!) e jamais conseguiram ter líderes que impusesse qualquer respeito. Nem mesmo no período de regimes ditatoriais que assolou a Europa, durante as grandes guerras mundiais, já que os ditadorezinhos Salazar e Franco ficavam em cima do muro enquanto o bicho pegava entre chucrutes, carcamanos, tomadores de chá e o povo fresco que faz beicinho pra falar.

Futebolisticamente, o maior craque dos patrícios é um merdinha pretensioso com nome de galã de novela mexicana, Cristiano Ronaldo, eleito o melhor do mundo, apesar de não jogar porra nenhuma, por uma entidade de credibilidade extremamente duvidosa. Não obstante, adotam o artifício de naturalizar boleiros da ex-colônia, assumindo publicamente a própria incompetência.

A mediocridade portuguesa com certeza, até hoje se limita a comemorar um vice-campeonato de Eurocopa (espécie de Torneio do Interior para selecionados europeus que nunca conseguem ganhar nada), sob o comando do treinador tupiniquim Luiz Felipe Scolari, vulgo Felipão Retrancão, conseguindo o feito magnânimo de perder a final para ninguém menos que a imbatível Grécia, nação reconhecida pela filosofia e por ser o berço da democracia, mas que só recentemente descobriu que a bola é redonda.

Terra das touradas idiotas, Almodóvar, Penelope Cruz e do canastrão metido a ator, Antonio Bandeiras, a Espanha, na época das grandes navegações teve como mérito expropriar e extinguir de forma traiçoeira as harmoniosas civilizações ameríndias dos Incas, Maias e Astecas.

Foram tão cruelmente filhosdaputa que um cacique condenado à morte na fogueira, retrucou a um franciscano, quando este tentava convertê-lo, prometendo os gozos imediatos de todas as delícias do paraíso, caso o cacique abraçasse a fé cristã, conforme descreve o fantástico escritor Julio Verne em “Os Conquistadores”:
- Nesse lugar de delícias, perguntou o cacique Hattuey, há espanhóis?
- Sim, respondeu o monge, mas só os que foram justos e bons.
- O melhor entre eles, replicou o cacique indignado, não pode ser justo nem bom!
- Não quero ir para um lugar onde possa encontrar um só homem dessa raça maldita.

“Os velhos cronistas são unânimes em dizer que o poder ilimitado foi sempre empregado pelos incas para a felicidade de seus súditos. De uma série de doze reis que se sucederam no trono do Peru, não houve um só que não tivesse deixado a lembrança de um príncipe justo e adorado pelo povo. Não é de lamentar que os espanhóis tenham levado a guerra e seus horrores, as doenças e os vícios de um outro clima e o que orgulhosamente chamavam de civilização a povos felizes e ricos, cujos descendentes empobrecidos, abastardos, não guardaram nem mesmo, para se consolar de sua irremediável decadência, a lembrança de sua antiga prosperidade?” (Verne, Jules)

Apesar de ter mais tradição que os vizinhos ibéricos, mas com participações não menos ridículas, “Lá Fúria” é a eterna promessa de ahora si, ahora vá, sendo a queridinha de nove entre dez achólogos fadados a ficar com cara de bunda quando o furacão hispânico se transforma em brisinha, peidando na tanga sempre que precisa demonstrar um mínimo de colhão. É a atual campeã do torneiozinho de consolação europeu citado acima, mas já estreou tomando no rabo contra a grandiosa Suiça e mesmo que passe da primeira fase, tremerá inevitavelmente na seguinte.

Por alguma razão que até Deus desconhece, a mesma baboseira que eleva lixos como o portuguesinho babaca e o mariquinha do Kaká (escorraçado da agremiação cervídea da Gaiola das Loucas do Paraisópolis) à condição de melhores jogadores do mundo, coloca a pífia Espanha na posição de 1ª do ranking de seleções, à frente de tradicionais campeãs mundiais como Brasil, Itália, Alemanha e Argentina, mesmo ela sendo mera coadjuvante em Copas do Mundo. Tem credibilidade uma porra dessas?

originalmente publicado em Teóricos do Futebol

07/05/2010

Drogas, Mentiras e Videotapes

Enviado em Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , , , , às 15:08 por Roger Lopes

Dizem que “burrice é uma dádiva”. Exceto pela parte léxica tocante ao pobre animal, cujo intelecto se sobressai ao da maioria dos telespectadores supostamente racionais, demonstrando, inclusive, maior dignidade ao empacar quando algo não lhe parece correto, devo concordar com a conotação jocosa da afirmação. Faz-me tremer o invólucro da alma observar uma cambada de imbecis reproduzindo pensamentos simplórios e idéias prontas como verdadeiros papagaios de pirata, afinal currupaco de cu é rola.

Refiro-me ao processo de desinformação contido na imbecilidade de reportagens tendenciosas disfarçadas de jornalismo sério, aludindo toda merda ocorrida não apenas no país, mas no mundo, ao uso de entorpecentes, bebidas alcoólicas, tabaco, chás, ervas e sei lá mais o quê, sem qualquer averiguação, mesmo que superficial, dos fatos. Que a discussão acerca dos males e tratamentos decorrentes do uso de tais toxinas seja defendida é até condizente, porém, premeditar estratagemas sensacionalistas e suposições preconceituosas para justificar o belicismo e desperdício de recursos públicos no inútil combate ao uso destas substâncias é pura engabelação.

Vem sendo praxe leviana associar violência, assalto, homicídio, suicídio, infanticídio, parricídio, fratricídio, genocídio, latrocínio, laticínio, acidente no trânsito, inchaço do pé, unha encravada, dor de barriga, crise existencial, encosto, impotência,  flatulência e perturbação da alma a um suposto esquema envolvendo beberagens e psicotrópicos, tudo de forma extremamente subjetiva e conjectural.

Exemplos como o dos cachorrinhos adestrados da imprensa, que para satisfazer aos anseios conservadores oficiais se apressaram em afirmar que o assassino do cartunista Glauco (Geraldão Eterno) era um assaltante visivelmente drogado,  sem sequer desculpar-se pelo grave erro de informação, após constatar que o babaca era nada menos que um amiguinho da família ressentido de não ter levado umas dedadas no rabo quando criança, ocorrem com incrível reincidência em nossos voluntariosos órgãos de comunicação.

Sem defender a tese de que usuário é coitadinho e traficante é vítima oprimida do sistema, como querem fazer crer os tais defensores dos direitos humanos e os assustadores grupos pró-vida. Porém, como sempre, deixamos de questionar o que se esconde por trás de cada proibição estúpida, justificada pela retórica maniqueísta de jornais, revistas, televisão e propaganda ideológica governamental.

Princípio básico da economia liberal, toda oferta deriva de demanda (procura) e numa sociedade sufocada por tão onerosa carga tributária, devia causar espanto a enorme quantidade de atividades colocadas à margem da legalidade. Tal ignomínia só se justifica se admitirmos que para os legisladores a indústria da ilegalidade é muito mais lucrativa que a formalidade, tendo em vista que o excesso de burocracia é uma ferramenta eficaz para a comercialização de “facilidades”.

Basta tirar só um pouquinho da venda que encobre os olhos para enxergar que morrem mais, mas muito mais, pessoas no pseudo-combate ao tráfico ou com remédios comercializados normalmente em farmácias e DROGArias do que necessariamente em decorrência do consumo propriamente dito das tão demonizadas drogas. Pergunte a qualquer médico ou especialista isento, se existe qualquer caso de overdose de maconha diagnosticado até hoje no mundo. Tenha a santa paciência.

Em nações culturalmente mais desenvolvidas, o que aqui é proibido lá é usado com fins medicinais ou mesmo turísticos, sem que ocorra o caos e a violência apregoados pela propaganda repressora oficial. Até em Portugal, que não é nenhum exemplo de vanguarda, o pensamento conservador retrógrado foi deixado de lado e após a descriminalização do uso, constatou-se significativa queda no consumo após a liberalização.

A questão no Brasil vai muito além do simples problema de saúde e segurança pública, passando até mesmo por interesses geopolíticos imperialistas. O grande entrave, no entanto, é que MUITA gente graúda lucra com a ilegalidade (e não apenas das drogas). Os traficantes apresentados como os grandes vilões da história são apenas a ponta do iceberg, pois os mandatários do bilionário esquema não dão a face a tapa, nem aparecem em noticiários idiotas, pois conspiram nos bastidores e em gabinetes governamentais.

A legalização não convém a esses ilustres senhores, pois assim precisariam recolher impostos e investir em tratamentos, diminuindo consideravelmente sua margem de lucro. Ademais, os supostos viciados são um bode expiatório excelente para justificar a ausência de políticas públicas em diversos setores de responsabilidade do Estado.

Entretanto, antes que me acusem de apologia, esclareço que não advogo em causa própria, pois minha rara incursão nesse campo, durante a adolescência para impressionar garotinhas libidinosas, resultou apenas em aumento de apetite digno de Biotônico Fontoura seguida de agradável soneca e, acredito eu, grande alívio às referidas donzelas que não precisaram trocar fluídos corporais com esta criatura desprovida de beleza facial. Todavia, até que se implante a inevitável lei seca com toque de recolher nos moldes da Chicago de 30, porque de gangsters o planalto está cheio, permito-me apreciar a tradicional cervejinha pós-expediente e que estejam de cu tomado os hipócritas viciados em bandalheira, que se escondem sob a falsa égide da moral e bons costumes.

Enquanto outras filhadaputices mais prementes ocupavam minha dependência gástrica em bicarbonato de sódio, mantive esse tema fermentando, afinal é mais do que evidente que não existe órgão do governo, partido político ou qualquer outra representação de merda que esteja de fato interessada no bem-estar da população mais do que em avaliar como o erário tratará as necessidades do próprio bolso. Que me prove o contrário quem ainda acredita em Papai Noel, Saci Pererê, Curupira, Caipora, Fada-dos-dentes, leprechauns, duendes, gnomos, políticos ilibados e laboratórios farmacêuticos missionários.

Falácias Previdenciárias

Enviado em O Melhor dos Mundos Possíveis às 10:26 por Roger Lopes

Só para não passar em brancas nuvens, o mesmo governo ditatorial que esbanja dinheiro público com cargos de confiança para corregilionários corruptos e faz caridade com a cartola alheia por meio de bolsas-esmola, promovendo seu sistema de políticas de dependência, tenta agora justificar, sempre com o grato apoio da mídia servil, que um aumento miserável para quem contribuiu a vida inteira na produção de riquezas do país irá onerar os cofres da Previdência. E enquanto isso a carga tributária só tende a aumentar. Cambada de prostitutos demagogos corruptos ordinários filhos da puta. O fuzilamento em praça pública seria pouco para essa raça. Não se trata aqui de assistencialismo eleitoreiro barato, mas de justiça e dignidade. O próprio conceito de salário mínimo já é por demais vexatório e ainda cogita-se o fim da CLT sob o eufemismo de “Reforma Trabalhista”. Pois é, enquanto o populacho imbecilizado torce pelo paredão do Big Brother, o Grande Irmão e seu Partido implementa seu totalitarismo orwelliano.  

11/03/2010

La Dolorosa, Garçom

Enviado em Neopessimista às 18:39 por Roger Lopes

A Comissão de Assuntos Sociais (faz-me rir) do senado aprovou na calada da noite desta quarta-feira, mais um patético projetinho autoritário para enfiar bunda adentro dos “ignóbeis” freqüentadores da vida notívaga.

Dando prosseguimento ao processo maniqueísta de cerceamento dos direitos de ir e vir disfarçado de medidas moralizantes, a brilhante idéia autoriza desta feita um aumento compulsório da “gorjeta” de 10% para 20%, oferecidas voluntariosamente aos bares e restaurantes noturnos do país.

Nada de novo no front, somente mais uma panacéia governamental visando à reclusão dos problemáticos boêmios para garantir a beleza dos números estatísticos oficiais, atingindo o cidadão diretamente onde mais lhe dói, o bolso, e afrontando diretamente o Código de Defesa do Consumidor e à nossa meretríssima Constituição, a qual, convenhamos, de tanto ser estuprada por esses tarados legislativos, apresenta hoje a aparência ranhenta de uma velha prostituta aposentada após infinita sucessão de abortos.

A torpe desculpa emitida pelo benemérito senador Marcello Crivella é que “a intenção é beneficiar garçons e outros trabalhadores de bares e restaurantes que exercem atividade tarde da noite e na madrugada, pois eles estão mais sujeitos a riscos de violência, sofrem com as dificuldades de transporte e estão submetidos a um grau de penosidade maior do que aqueles que trabalham nas primeiras horas da noite ou durante o dia”.

Ué? E por acaso Segurança e Transporte PÚBLICOS deixaram de ser obrigações do Estado? Questão que vale o prêmio máximo e a permanência na Casa da Mãe Joana neste popular Miserality Show. Por que diabos o povinho patético dessa eterna colônia é massacrado diuturnamente pela tão impiedosa bateria de impostos que o fodem a vida, se o problema depois lhe é devolvido ao colo para resolver? Não responda ainda, aguarde o intervalo comercial com algumas palavrinhas do nosso generoso patrocinador assistencial.

A justificativa para tamanho abuso de poder é totalmente mentirosa, leviana e despropositada, pois os tais bares e restaurantes já cobram bandeira dois em seus produtos a fim de cobrir os custos, inclusive com funcionários e segurança, desta atividade em horário extraordinário.

Essa insidiosa medida além de onerar ainda mais o consumidor, traz o agravante de que nem sempre o percentual total cobrado pela aviltante “caixinha” é destinado a quem é de direito, o trabalhador, ficando na maioria das vezes em poder do próprio estabelecimento.

A imbecilidade segue agora para ser apreciada pela cumplicidade da Câmara, onde provavelmente também será aprovada. E enquanto isso os súditos hipócritas aplaudem a mais este gesto totalitário do despotismo parlamentar do eterno Castelo Colonial do Rei.

Ave Cesar, Morituri Te Salutanti.

24/02/2010

Anestesia na Bunda dos Outros é Refresco

Enviado em Detestável Mundo Novo às 16:44 por Roger Lopes

Resolvi. Não usarei mais o meu compacto aparelho multiprocessador de imagens, centrifugador de opiniões e manipulador de mentes (e dementes), vulgarmente conhecido como televisor, exceto para ver a algum filme ruim em DVD. Fui acometido recentemente de uma patologia diagnosticada como anestesiamento alienatório agudo provocado pela exposição maciça à epidemia de filhadaputices recorrentes na wonderland tupiniquim desde que os porras advindos daquela merda de península ibérica aqui pisaram.

Dessa forma, não me indignarei com a Portaria nº 48 de 12/02/2009, do INSS, http://www.mpas.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22, que institui no país o “Auxílio Reclusão”, uma espécie de Bolsa Família para presidiários, que provavelmente foram guardados no xilindró por estarem meditando quietinhos em alguma mesquita ou templo religioso, enquanto o governo, com a conivência da mídia sempre oportunamente serviente, alega que o que onera os caixas da previdência social são os assalariados preguiçosos e os aposentados vagabundos. Mais uma inversão de valores (literal e figurada) proveniente da hipocrisia à brasileira.

Tampouco ficarei puto da vida com a benevolência constitucional de legislações arcaicas que privilegiam ONGs picaretas e grupinhos defensores de direitos humanos coniventes e incentivadores de aberrações desprovidas de humanidade, pois somente em uma sociedade evoluída e magnânima  como a desta pátria varonil, a barbárie é normalmente admitida desde que dentro (e às vezes até fora) da faixa etária regulamentada pelo esplendido manifesto do Estaputo da Criança e do Adolescente, que não incomoda a esses Cândidos Voltaireanos nem mesmo quando a água bate em suas bundas. E dá-lhe passeata com bandeirinha branca e pombas giras da paz, oferecendo a outra face como bons cristãos, que de tanto apanhar na cara acabam apaixonando. 

Recuso-me ainda a sentir acidez estomacal pela caridade com a cartola alheia que o digníssimo presidente do populacho promoverá aos pobrezinhos dos jogadores que trouxeram outrora a tão decantada taça de alguma disputadíssima Copa do Mundo de Futebol. A aposentadoria dos patrióticos atletas pode chegar a R$ 4.650,00 (quatro mil, seiscentas e cinqüenta pilas) por mês e as indenizações ficariam numa bagatela de R$ 465.000,00 (quatrocentos e sessenta e cinco mil reais). Dinheiro de pinga para o mandatário da nação, afinal somos penta e nossos impostos servem justamente pra isso, não é mesmo?

Não quero que essas besteiras rotineiras estraguem meu mundinho feliz. Já tenho o paredão do Big Bosta, o final da novela das oito e daqui a pouco começam as Olím(piadas) na cidade maravilhosa. Rumo ao hexa e dá-lhe futebol, samba, cachaça e anestesia na bunda, que é pra pica corrupta do Estado entrar sem muita dor.

10/02/2010

Revira e Volta

Enviado em Neopessimista às 01:58 por Roger Lopes

É com imenso pesar que abandono minha hibernação tal qual o indizível Ctulhu nas lendas lovecraftianas, para retomar esse espaço de desabafos.

Tão convicto estava de que esta ignominiosa pátria amarga idolatrada salve, salve, não merece a ebulição efervescente de meus sucos gástricos e somente as trombetas do juízo final poderiam aferir qualquer mudança no espírito subserviente desta nação corrupta que resolvi tal qual o nobre Poncius lavar minhas mãos.

Entretanto, como nada acontece da forma que meu admirável mundo novo planeja, faz uma semana que acabou a porra da água e cá estou novamente com minhas estomatites ulceradas pela raiva que a impunidade aos gersonianos me acarreta.

Escrevo com inenarrável ódio no coração, tamanha é a vontade de mandar esses imprestáveis à puta que os pariu, portanto, peço que me perdoem eventuais incoerências gramaticais e ortográficas. As sanearei no tempo devido e com os necessários cuidados que me são peculiares, afinal prezo meus poucos, porém ilustres leitores.

Como vinha me resignando com as sucessivas canalhices ocorridas nesse solo profanado por corruptos, picaretas, vassalos e malandros de toda estirpe, resolveram no mesmo dia testar meus brios por meio de duas das instituições mais desgranhentas, imprestáveis, presepeiras e desrespeitosas do mundo, do inferno e de onde quer que estejam instaladas essas sanguessugas lazarentas, às quais amaldiçôo com todas as pragas do Egito e de outras nações também.

Em relação à primeira, por tratar-se de questão mais pessoal não entrarei em pormenores, dizendo respeito ao tal do Banco do Brasil, que com um nome desses não surpreende atender tão mal aos seus clientes nacionais (infelizmente sou obrigado a ter conta nessa merda). O segundo B da sigla BB bem poderia aludir a substâncias de formato conífero e origem fecal para manter intactos a missão e valores dessa empresa, afinal mãe é mãe, vaca é vaca, banco é banco e filho da puta é filho da puta. Será por isso que a genialidade dos propagandistas resulta em slogans do tipo: “Esse Banco Existe?” e “Nem Parece Banco”? Estimada amiga de gênio implacável e personalidade às vezes corrosivamente sarcástica, a essa altura me responderia: “Elementar, meu caro Charlie”.

Adentremos, então, o caso do qual não é necessário ser nenhum Sherlock Holmes para vislumbrar a lógica pérfida dos crimes hediondos cometidos pela insaciável meretriz Sabesp contra a inocente e aviltada população de São Paulo, com a absoluta conivência de um governo padrasto, que presenteia essa prostituta gananciosa com o direito de usurpar a exploração dos recursos hídricos sem nenhuma contrapartida a quem de fato paga por eles.

É inadmissível que o odioso racionamento que já era praxe em época de estiagem, agora ocorra também em período de dilúvios. A desculpa da tal manutenção dos reservatórios não cola mais. Já foi usada uma vez e em menos de um mês, e se não resolveram o problema foi por pura incompetência dessa empresinha patética.

Entretanto, apesar da porcaria de serviços prestados por ela, premiozinhos de reconhecimento e ISOS dos 9000 Caralhos enfeitam a sala de superintendentes fanfarrões enquanto o contribuinte se fode com a recorrente falta de água e saneamento.   

Quem conhece um mínimo sobre essas “premiações” mequetrefes sabe muito bem que a prestação de serviços, onde entra a verdadeira qualidade, não é analisada. A avaliação para conceder esses certificados é feita unicamente sobre critérios gerenciais, seguindo um modelo dogmático imbecil, copiado de países com cultura, inclusive corporativa, muito distinta da nossa.

A Sabesp conquista esses prêmios única e exclusivamente porque se dispõe a pagar as “taxinhas” de participação que esses institutos cobram para certificarem os participantes. Tudo muito lindo e maravilhoso para empresas privadas preocupadas com seu marketing, mas cheira a arroz queimado quando se trata de empresas com participação de capital público, inclusive as tais mistas como as duas já citadas.

Coisinha para inglês ver, porque se esses modelos de gestão fossem realmente bons não premiariam empresas tão ruins. E antes que venham com historinha de que por serem mistas essas drogas são auto-suficientes não necessitando de dinheiro do Estado, o qual deveria fiscalizar o serviço de merda prestado por elas, mas por conveniência, não o faz, digo que os ICMSs, IOF e outras caralhadas de sacanagens que vem nas contas, além das tarifas são dinheiro público sim e deveriam ser mais bem utilizados em prestação de serviços, que, diga-se de passagem, é péssima sob todos os aspectos. Ou alguém se engana a ponto de acreditar que a senhora Sabesp preste um serviço tão bom assim?

Putz, penso que pra quem pretendia por desesperança abandonar este cético empreendimento midiático, já me demorei demais, mas prometo após uma sessão de antiácidos, arrefecer meus ânimos e completar minha indignação contra essas duas irritantes companhias (além da tal Telefonica sem circunflexo, que é outra aberração).

Puta merda, voltei.

Taquicardia à vista.

29/12/2009

Ceticismo em Gotas

Enviado em Detestável Mundo Novo, Neopessimista, O Melhor dos Mundos Possíveis, Pessimismo em Jatos às 18:31 por Roger Lopes

É com grande relutância que abordo assuntos relacionados à religião em geral. Não por omissão ou covardia, mas por puro instinto de preservação e sobrevivência. Afinal, nada mais perigoso à integridade física que um fundamentalista irascível disposto a matar em nome de Deus.

Obviamente, que se devemos atribuir a Ele a criação de todas a coisas, então me isento de qualquer culpa por ser um cínico contumaz e um cético em relação aos valores eclesiásticos e dogmas cristãos. Afinal de contas, tudo acontece por vontade divina mesmo.

Creio ainda, que nesse sentido um tal de Frederico, cujo sobrenome impronunciável mais parece onomatopéia de espirro, Nietzsche (Saúde!), provavelmente também dera uma forcinha , mas até ai, sabedeus.

De qualquer forma, por que diabos incorro nesse bendito assunto? Sei lá. Talvez por conta do espírito natalino, que só não me deprime mais do que aquela classe infernal, à qual, como resolução de fim de ano, prometi não citar mais neste desesperançado espaço.

Valhamedeus, faz de conta que acredito realmente nisso, mas o fato é que  até hoje não consegui enxergar a porra das tais instituições religiosas desassociadas do maquiavelismo político.

Provavelmente serei queimado no fogo da inquisição pela heresia de ser um agnóstico irredutível, mas benzadeus, glória ao Senhor nas alturas, aleluia, não há Cristo que aguente tamanha hipocrisia disfarçada de fé.

Não vou nem falar dos pobres coitados seduzidos pelos encantamentos da serpente e promessas de tevê a cabo e internet celestial, enquanto deleitam-se com 12 virgens sobre uma nuvem paradísiaca branca e fofa.

O que me fode a alma são esses encostos de bancadas católicas e evangélicas fazendo lobby no congresso, senado, câmara, judiciário (tudo com letra minúscula, sim senhor) e em tudo quanto é órgão legislativo, executivo e judiciário do país, influenciando leis, manipulando orçamentos, almejando benesses particulares e consumindo todo o pão nosso de cada dia. Putaquiuspariu, vade retro, Satanás.

22/12/2009

Dingombéus

Enviado em Neopessimista às 19:05 por Roger Lopes

Deixo meus votos de dingombéus, ano novo e o caralho a quatro, pois é mais fácil acreditar em Papai Noel do que na existência de político honesto. Um ano de bosta e corrupção que foi embora e um ano de merda eleitoral que se inicia. Só com muita esperança mesmo.

14/12/2009

Desserviço Voluntarioso

Enviado em Neopessimista às 17:48 por Roger Lopes

Há algum tempo me questiono em relação aos supostos benefícios do chamado trabalho voluntário em nossa digníssima vaca leiteira de alcunha Brasil, cujas tetas onde todos mamam, nunca hão de secar, pois observo nos noticiários o retumbante ufanismo acerca do crescimento econômico, do aumento da arrecadação tributária e da significativa melhoria na qualidade de vida do bravo povo brasileiro.

Intriga-me, no entanto, que com esse cenário tão auspiciosamente decantado, se encontre algumas correntes enaltecendo cinicamente o dispêndio de horas de trabalho de quem já rala pra cacete, a fim de suprir as deficiências de um Estado corruptamente oneroso e incompetente.

Notadamente, nossa herança católica trouxe o chamado espírito da caridade em detrimento do espírito empreendedor. Somos descendentes de uma cultura que não se envergonha da dependência, mas ao contrário, em tempos de assistencialismo barato, transformou o coitadismo em orgulho nacional, trazendo sob sua égide a benevolência, o paternalismo e a subserviência tão aclamados sob o eufemismo semântico de receptividade.

Nada contra sermos receptivos e termos como princípios o humanismo social, mas daí a aceitarmos ad infinitum a pecha de otários me custa a tolerar, pois a falácia do tal voluntariado me parece mais um dos inúmeros artifícios que devolve à sociedade a responsabilidade por uma já exposta péssima prestação de serviços públicos.

Para que servem tantas taxas, tributos e impostos usurpados de atividades laboriosas produtivas, se no fim das contas devemos trabalhar gratuitamente para suprir o que é obrigação da corja maldita de vagabundos malandros e salafrários imprestáveis que governam a nação?

Apesar de cético, acredito inclusive nas boas intenções de alguns poucos idealistas, tirando obviamente as tais instituições de caridade e organizações não-governamentais, que em sua grande maioria estão atreladas a favores políticos e ao clientelismo, usando a fachada assistencial como trampolim para a conquista de cargos públicos e sobrevivendo à custa da miséria humana.

A retórica pré-elaborada se apropria da chantagem emocional para exultar a crueldade de quem não estende um “braço amigo” e “solidário” aos necessitados. Entretanto, deixa de afrontar a quem é de direito promover políticas sociais inclusivas, pois se todos os “voluntariosos” cidadãos que se prestam a fazer o papel do Estado cobrassem dos Césares da corrupção a obrigação advinda dos altíssimos tributos impostos à plebe, não seria preciso que labutassem sem justa remuneração.

01/12/2009

Mau Gosto Não Se Discute

Enviado em Detestável Mundo Novo às 16:34 por Roger Lopes

Dentre as coisas mais irritantes concebidas no mundo, poucas sobrepujam os malditos jargões. Frases feitas disfarçadas de profunda sabedoria e dogmas incontestes que apenas escondem no âmago a notável incapacidade de seu interlocutor de analisar criticamente qualquer situação. “Gosto não se discute”. “Política, religião e futebol não se discutem”. Então nada se discute e tudo permanece na mediocridade.

Fica-se, no entanto, a impressão de que apenas o mau gosto não é passível de discussão, pois quem se baseia em modelos culturais elevados está sempre buscando o debate. Todavia, o que força esse assunto à baila é a plena convicção de que o convívio social e princípios básicos de cidadania estão intrinsecamente ligados ao gosto particular das pessoas.

É suficientemente ruim viver sob uma ditadura midiática que empurra goela adentro tudo quanto é lixo pseudo-artístico, fabricado por uma nefasta e apelativa indústria do entretenimento, cujos artifícios para justificar a merda jogada ao público são os mais sórdidos possíveis. O ilegal e imoral jabá é só um dos inúmeros exemplos.

Pior do que a ausência de opção nos ditos veículos “democráticos” de comunicação, cuja concessão pública obriga contratualmente a destinação de percentual da grade à transmissão de programação educativa em horário nobre (o que jamais é cumprido), é o absoluto desrespeito daqueles que tem estomago para digerir tal gororoba “cultural” para com os ouvidos alheios.  

Não se encontra mecanismo na Terra para fugir dessa praga infecta que inferniza os quatro cantos e tímpanos do país, pois aonde quer que se vá sempre aparece algum lazarento com distúrbio comportamental, portando um crime ecológico sobre rodas, todo equipadão com caixas acústicas de fazer inveja à Orquestra Sinfônica de Berlim para ostentar um inacreditável repertório de tortura sonora, o qual insiste chamar de música, contrariando todas as definições para essa palavra.

Tal público, irremediavelmente desprovido de bom senso, acredita piamente realizar imensurável favor à humanidade ao compartilhar a predileção pela miserabilidade artística a ele imposta, elevando em insuportáveis decibéis toda a vulgaridade de “funks” carioca (nunca a excelente black music dos anos 70), melacuecas pagodísticos intragáveis (não o samba de raiz e o partido alto de outrora), a cornomania sertanoja (nada a ver com o regional caipira), os forrós “universitários” (tentativa malfadada de sofisticar o baião) e as apelações bundísticas dos axés da vida.

Permita abrir parêntese para notar que os cidadãos com gosto refinado e erudito, independentemente da classe social, pois pobreza de espírito não está relacionada a poder aquisitivo,  como os apreciadores de ópera, música clássica, jazz, blues, soul, MPB e rock (tradicionalmente estereotipado como um som para se ouvir em volume alto), entre outros, dificilmente expõem suas preferências em ambientes não propícios, reservando-se a degustar suas paixões de forma individual, evitando sempre que possível incomodar ao próximo.

Infelizmente, os que possuem essa consciência e respeitam as mínimas normas de convívio são minoria no país, estando sujeitos à cretinice bovina dos seguidores de modinhas imbecilizantes, cuja idiotia e falta de cidadania os leva a procurar locais com concentração de pessoas nem sempre dispostas a escutar a última apologia ao crime e à putaria desenfreada, gravada por algum traficante dos morros carioca ou por detentos dos cadeiões paulistas, disparada pelo estridente celular by 25 de Março com MP3, ignorando qualquer aviso de “PROIBIDO APARELHO SONORO” ou coisa que o valha sob o pretexto de que gosto não se discute.

É verdade, mau gosto não se discute, mas sim se expurga por meio de boa educação e cultura, condimentos dos quais a culinária brasileira ainda prescinde e muito.

Originalmente publicado no site Whiplash

26/11/2009

Capítulo I – Dos Regimes e Democracias

Enviado em Pessimismo em Jatos às 16:22 por Roger Lopes

De todos os regimes totalitários e ditatoriais impostos ao mundo, sem dúvida o mais tirânico de todos é o Totalitarismo Democrático.

25/11/2009

In God We Trust

Enviado em Neopessimista às 18:46 por Roger Lopes

Farei um esforço cimeriano para dar menos crédito à infâme classe política do país neste inglório veículo de indignação social. Não que eu tenha mudado uma vírgula sequer do que penso sobre essa escória imprestável, pustulenta, corrupta, abjeta, aviltante, sifilítica, morfética, encostada, malandra, ordinária, safada, prepotente, cínica, hipócrita, proxeneta, amaldiçoada e mais uma série de adjetivos que não caberia em espaço tão reduzido, mas porque a culpa pela balburdia nessa terra de oportunistas desqualificados não cabe somente a eles. No entanto, como saideira antes da próxima ressaca deixo uma pequena reflexão: Diz a sapiência popular que “de boas intenções o inferno está cheio”. Se isso é verdade, para onde vão então os políticos brasileiros?

23/11/2009

Pensamento do Dia

Enviado em Político Bom é Político Morto às 22:49 por Roger Lopes

Apresente-me um político e lhe mostrarei a criatura mais pobre, vil, corrupta, desprezível, perniciosa, abjeta e degradante  dentre toda a ralé pútrida que já infectou o solo deste planeta.

Indústria da Insegurança

Enviado em Neopessimista às 17:37 por Roger Lopes

Violência, roubo, sequestro, tráfico, desrespeito a vida, crimes hediondos, vergonha nacional, blá blá blá. Todo dia a mesma coisa. Assuntinhos chatos pra caralho e antes que se possa falar “sensacionalismomidiático” vem uma cambada de Datenas bufantes perguntando pelas autoridades ou vociferando contra a impunidade. Bonito, mas a que autoridades esses imbecis se referem e contra a impunidade de quem eles gritam?

De todas as indústrias legalmente instituídas a que mais lucra no país é a da insegurança. A diversidade que envolve este segmento é sem par em nossa economia. Tem seguro de vida, seguro de morte, seguro de automóvel, de moto, de celular, de cartão de crédito, de perda de emprego, de saúde, de residência, contra acidentes, gravidez indesejada, moléstia da alma, combustão espontânea, para sair na rua, para não sair na rua, furúnculo, bala perdida e o escambau. Basta entrar num banco qualquer para fazer alguma transação (nesse caso é verídica a conotação sexual de que quem toma na bunda é sempre você) e certamente vão te entuxar algum maldito seguro.

É fato mais que comprovado que os detentores dessas grandes companhias. Bancos, seguradoras, convênios e sei lá mais o quê, anunciam tradicionalmente o seu produto no horário nobre entre as novelas e os telejornais.

Coincidentemente, essas mesmas corporações contribuem magnanimamente com milhões, bilhões e às vezes trilhões em campanhas eleitorais de candidatos salafrários de tudo quanto é estirpe partidária escrota.

Eis a questão que não quer calar: Se as empresas que ganham rios de dinheiro com uma sociedade amedrontada pela transmissão espetacular de crimes odiosos a todo instante, financia com seus lucros as apelativas emissoras de televisão, além da maioria dos responsáveis pela instauração de políticas sociais e de segurança pública no país, qual o interesse dessa corja em diminuir a incidência de sua maior matéria-prima que, afinal de contas, é o próprio aumento da violência?

E vem aí Copa Desmundo de Futebol e Olim(piadas). Panis et Circenses a todos.

Um a Menos e Contando

Enviado em Político Bom é Político Morto às 17:33 por Roger Lopes

Não tenho amigos políticos, pois se são políticos não são meus amigos. O porra do Celso Pitta desceu. Foi tarde. Um a menos e contando, mas ainda falta uma caralhada desses merdas para devolver à latrina fétida de onde jamais deveriam ter saído.

16/11/2009

Propaganda Enganosa Oficial

Enviado em Detestável Mundo Novo às 13:53 por Roger Lopes

É difícil não admirar a genialidade de algumas propagandas, assim como é impossível não perceber a imbecilidade de outras. Nesse quesito as governamentais dão show. Conseguem ser disparadas as mais caras e mais ridículas entre as piores possíveis. As campanhas antidrogas e antipirataria de tão ruins mais se parecem com apologias.

Mas como apregoa o dito, “a propaganda é a alma do negócio”. E nesse caso em particular os governantes não poupam recursos, afinal o dinheiro não sai do bolso deles mesmo.

Não bastassem os ufanismos tolos em torno do pré-sal, da suposta melhoria na qualidade de vida dos brasileiros e dos patéticos programas assistenciais, os manipuladores ainda querem nos fazer acreditar que a implantação de algumas míseras linhas de metrô na maior capital do país é um grande passo para a humanidade. O caralho que é.

A porra da cidade sofre com o descaso desses putos há anos. Os desgranhentos investiram os tubos numa merda de malha viária para atender ao lobby da indústria automobilística, sucateando o transporte público e o ferroviário. Agora, com a cara mais deslavada do mundo, alardeiam que estão realizando um puta negocião da China construindo, mal e porcamente, meia dúzia de linhas para uma metrópole do tamanho de São Paulo. Vendem o produto como um favor à população, mesmo não sendo mais que mera obrigação. Afinal, estão lá para quê? Somente para contratar parentes e correligionários? Vão tomar no cu, picaretas amaldiçoados.

Como se o engodo puro e simples não fosse o suficiente para azedar o leite matinal, ainda por cima temos que engolir a propagandinha de extremo mau gosto na tevê. É de embrulhar o estomago. Além da obviedade na comparação de tempo gasto no percurso (não é preciso ser nenhum gênio para saber que o metrô economiza muito mais tempo, basta utilizar essa bosta todos os dias), a dancinha no final é passível de ânsia de vomito.

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