11/10/2011
O Verdadeiro Assalto ao Banco Central
Durante as últimas crises econômicas, o então Grande Ditador Luis Stalin Molusco da Silva, comemorou com vodka russa e aplausos oficiais do servilismo midiático ao fato de o sistema financeiro brasileiro passar incólume pelas turbulências internacionais. Como se fosse possível tais agiotas quebrarem praticando os juros mais extorsivos do mundo mediante a benção paternal de um governo cuja sanha tributária desenfreada só encontra similar na infinita benevolência para com a ganância de eméritos especuladores filhos da puta.
Como diz o provérbio, relembrar é viver puto. Então, cabe lembrar que no Regime do déspota anterior, Fernando Holocausto Cardoso, criou-se por meio de Medida Provisória o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional), salvaguarda hedionda via BNDES a instituições quebradas por roubalheiras e má administração. Conhecido na época como escândalo da Pasta Rosa, desviou somas astronômicas do erário para as mãos de banqueiros e ladrões ligados à equipe econômica do partido que estava no poder, ficando o contribuinte com um prejuízo “Feito Pra Você!”
Tal fato já é de causar calafrios na medula óssea, mas a reciprocidade dos larápios eleitos com o auxílio do modesto capital financeiro em suas dissimuladas campanhas vai muito além da singela caridade dos cofres públicos, sendo necessário impor a todo cidadão a manutenção de conta bancária para que as instituições possam lucrar fortunas mediante empréstimo de dinheiro alheio.
E as arbitrariedades não terminam, pois em nome da segurança, medidas ditatoriais de rapinagem são implementadas com inabalável conivência legislativa. De constrangedoras portas giratórias, que impedem o acesso do cliente, mas não dos assaltantes, até a limitação de horário para uso e de retirada de valores em caixas eletrônicos – os quais tem como habilidade mágica obrigar o correntista a pagar para fazer ele mesmo o trabalho do próprio banco e este possa “enxugar” seu quadro de funcionários -, sob o pretexto de evitar sequestros relâmpagos. Quanta bondade, “Nem Parece Banco!”
Não bastasse a generosidade governamental, os tesoureiros do Império ainda brincam de Van Gogh com as cédulas de caixas eletrônicos explodidos, devolvendo novamente o ônus de sua obra de arte à sociedade, jogada compulsoriamente no papel de receptor. O quadro que se desenha é por demais surreal, afinal quando o cidadão é assaltado, não só pelos bancos, mas também por outros bandidos, deve assumir o prejuízo. Então, por que cabe à população se responsabilizar pelos custos causados justamente por uma Indústria da Insegurança patrocinada por banqueiros detentores das principais companhias de seguro e pela incompetência de um Estado títere dessa voracidade?
É absurdo exigir que a população ande com lupa no bolso para verificar se a porra da nota está pintada, queimada, rabiscada, cagada ou merda semelhante, sob o risco de perdê-la para que os tubarões monetários mantenham intocados seus ganhos exorbitantes. Se não conseguem controlar a criatura violenta parida do próprio ventre, que façam um seguro de seus vultosos patrimônios ou, Pelos Relógios Derretidos de Dalí, venham pintar como eu pinto. Foda-se!
Resumindo essa Ópera do Malandro, o mais recente gesto de boa vontade da leviandade politiqueira foi proibir o uso de celular pelo cidadão nas desamparadas dependências bancárias. Tudo visando o bem estar do cliente, para que estes não fiquem vulneráveis à ação dos malandros que transitam livremente nas agências, sujeitando-as a possíveis indenizações. Assim como a patética Lei de Desarmamento, o truque escondido na cartola é retirar da população seus direitos civis ao invés de melhorar a segurança pública. Senhor banqueiro, tenha você também, um Banco Central de Vantagens!
Também publicado em Negação Lógica
Roberta Forster disse,
16/10/2011 às 13:38
“relembrar é viver puto” ahaha ai ai… é por isso que se deve apagar as memórias, mudar o passado, renegar, esconder a sujeira embaixo do tapete e mostrar que tudo está limpo!
Roger Lopes disse,
16/10/2011 às 16:36
Vero. Penso que talvez seja essa a principal função da mídia oficial, apagar a história no melhor estilo orwelliano e reescrevê-la de acordo com as conveniências do momento.
Roberta Forster disse,
17/10/2011 às 13:03
Pois. Pensei exatamente em 1984.
Roger Lopes disse,
17/10/2011 às 20:30
Imaginei que fosse uma alusão ao Big Brou, hehe. “Remember, remember, the Fifth of November”.