07/02/2011

Alea Jacta Est

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , , , às 23:33 por Roger Lopes

“Os dados estão lançados”. Temida pelos adversários, a célebre frase promovida por Júlio Cesar em suas audaciosas campanhas dedicadas a Marte prenunciava as inevitáveis conquistas romanas (exceto contra aquela irredutível aldeia de loucos gauleses dos quadrinhos) banhadas em glóbulos vermelhos, enquanto os deuses do alto de sua morada olimpiana jogavam com a sorte da humanidade.  Seja o que Zeus quiser, todavia não custava nada ao invejável estrategista dar uma certificadinha de possuir o maior, mais bem equipado e devastador exército da época, afinal a Cesar o que é dele e a Zeus o que é de Zeus. No entanto, mostra a página dois da história que nem mesmo os desígnios de Júpiter e Cia impediram que Roma sucumbisse à própria decadência moral e corrupção desenfreada.

Séculos se passaram, mas velhos hábitos permanecem independentemente da idade avançada de Chronos, sendo os dados hoje  manipulados por deuses amorfos desprovidos da imponência mítica dos antigos, porém muito mais ávidos, vaidosos, cruéis, vingativos e habilidosos na condução dos rebanhos, apresentados sob as pomposas alcunhas de Mercado Financeiro, Política Monetária, Controle Inflacionário, Austeridade Fiscal, Superávit Primário,  Elevação Tributária, Reformas dos Sete Mil Infernos, Burocracismo Totalitário, Engodos Legislativos, Assistencialismo Barato, Maniqueísmo Sustentável e Descaso Social.

A estas divindades contemporâneas brindam nossos atuais imperadores, bebendo o sangue dos cordeiros humanos em seus macabros rituais de sacrifício, eufemisticamente chamados de tragédia pela Vênus Midiática em seu altar de adoração televisivo, pois enquanto o titã Caos assola a nação com seus quatro cavaleiros ambientais do apocalipse, oráculos governamentais brincam de adivinhação atribuindo culpa à fúria dos deuses da natureza e à falta de crença dos críticos pagãos.

Por Mercúrio, Divindade Protetora dos Ladrões! Enquanto investimentos em infra-estrutura, políticas de prevenção e combate à corrupção são coisas do tempo dos cesares, a nova ordem mundial agora são as orgias e bacanais com dinheiro público em nosso dionisíaco Congresso Nacional, que rouba dos sacrílegos contribuintes até o óbulo dos olhos da cara destinado a Caronte na travessia do Estige rumo ao reino de Hades.

Ave Cesar, Morituri te Salutanti

Alea Jacta Est!

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14 Comentários »

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Negação Lógica, Roger Lopes. Roger Lopes said: Alea Jacta Est: http://t.co/BsMjhY5 […]

  2. Unsere Welten said,

    Você deveria escrever um livro. E falo sério. É fácil te reconhecer nos seus textos, seu talento e destreza com as palavras é inegável e a personalidade fica evidente a cada linha.
    Você tem na ponta dos dedos a ferramenta para fazer aquela unica coisa notável, basta que comece, simplesmente comece.

    • Roger Lopes said,

      Oláááás!!!! Há quanto tempo, hehehe. Juro por Zeus que senti sua falta por aqui. Espero agora que Minerva aceite minhas oferendas e me agracie com sua dádiva para que possamos recuperar o que Cronos nos concedeu, mas Ares tão insidiosamente nos tomou e possamos manter nossos elevados colóquios até que o reino de Hades venha a congelar.

      Quanto à idéia do livro, gracias pelo incentivo. Usarei suas palavras como inspiração para abandonar essa vidinha de ócio e preguiça e retomar alguns projetos que havia iniciado, mas coloquei de lado por desleixo e falta de disciplina. Tenho alguns rascunhos que se encontram numa fase ainda embrionária, aguardando eu tomar vergonha na cara para sentar a bunda na cadeira e digitar até fritar o teclado do computador. Tem razão, basta uma única coisa notável para alcançar a imortalidade. Bram Stoker que o diga, literal e figuradamente, hehehe.

      Beijos!

  3. Unsere Welten said,

    Hahaha eu lia seus textos mesmo no período negro, eu só não comentava ;P E que a entidade metafísica sobrenatural ouça suas palavras e assim seja! Só espero que o rancor cultivado não o force a dar-me o troco por algo que já fora revidado em alto nível, do contrário serei obrigada a retaliar com artilharia pesada hehe

    Pensar e escrever é só começar hehe Vá em frente! Sério mesmo, potencial e ferramentas você tem 😉
    Você fez outro blog?

    bjo!

    • Roger Lopes said,

      Por Calvin, Hobbes e Susie Derkins, brigões inseparáveis. Não, sem mais rancores. Injusto ou não, o que estava me incomodando já fora expelido. Sem trocos, reminiscências ou grosserias, gosto de agir como gentleman e penso que vale o risco de eventualmente ser castigado por isso, salvo se me pedir por um tratamento convencional do tipo destinado a qualquer outro, mas aí só se for uma escolha sua, hehehe

      Que Puxa! Defendo essa tese, mas ainda não encontrei o formato ideal para fazer deslanchar as idéias no papel. Tá rolando tipo um bloqueio criativo. Talvez fosse o caso de procurar um monastério para limpar a mente de tanta informação inútil acumulada nas últimas décadas, hehehe

      Outro blog? Não, apenas colaboro em alguns, mas faz tempo que não escrevo nada. Acho que meu último texto foi exatamente este, hehehe

      Bjos!

  4. Unsere Welten said,

    O melhor remédio contra o bloqueia criativo é escrever mesmo que seja lixo. Ponha no papel/computador as ideias bagunçadas, analise, reorganize, jogue fora, reaproveite e recicle, só não deixe atrofiar porque o bloqueio criativo não se cura sozinho, idéias muitas vezes não vem do nada hehe salvo as exceções de quando parece que baixamos algo enviado pela entidade metafísica sobrenatural. Escrever é arte, é treino, é ofício. 99% suor e 1% inspiração.

    Mas se você não tem outro blog, que diabos é isso? http://rogerlopes.wordpress.com

    • Roger Lopes said,

      Por Todos os Deuses da ironia! Não faz muito tempo defendi em um longo debate que escrever não é dom, mas treino, leitura e acúmulo de conhecimento e que qualquer um pode fazer. Sei exatamente sobre o que e como escrever, mas a coisa não tem fluído como quero. O diabos é essa falta de displina para fazer as coisas sem ser obrigado. Talvez agora com seu rmpurrãozinho eu receba enfim a inspiração da entidade metafisica sobrenatural para retomar plano de conquista da imortalidade, hehehe

      Ah, isso aí é um lance criado pelo próprio wordpress, que ativei por acaso e acabei jogando uns posts do próprio “pessimismo” como forma de teste, mas nem escrevo nada inédito lá.

  5. Unsere Welten said,

    Bom, de certa forma existe uma certa dose de “dom” na arte de escrever, mas não é apenas isso que faz um escritor, aliás isso apenas define se você será um escritor ou apenas desenvolver bem um texto. Treino e dedicação é fundamental para obter sucesso e qualidade seja lá no que for. Talvez seja algo motivado pela paixão ao ofício, aquela coisa que fazemos porque gostamos de fazer e por isso acaba saindo com mais naturalidade do que aqueles que não possuem a latente veia literária. É fato que todos podem escrever bem, mas nem todos podem alcançar imortalidade com isso porque o tal “dom” pode estar voltado para outra coisa. Médicos tem o dom da medicina, músicos o dom da música, contadores o dom dos números, escritores o dom das palavras. Mas nada disso vem apenas como inspiração da entidade metafísica sobrenatural hehe acho que ela apenas dá um empurrãozinho, o despertar da paixão.

    Nunca precisei me esforçar muito, escrever nunca foi uma grande dificuldade pra mim, estou longe de me tornar a “nova Saramaga”, cometo algumas impropriedades gramaticais mas nunca precisei me esforçar muito para não escrever aberrações. Esses dias recebi de volta as dissertações que fiz como treino para a fuvest, em uma recebi um 8 por ter feito uma crônica e não uma dissertação, na outra recebi um 9 e um comentário de que estava muito bom, coeso e que as ideias foram muito bem expostas com argumentos que sustentavam a minha tese e uma ótima conclusão. Fiquei esperando um comentario negativo para justificar a perda de um ponto e não receber um 10 mas não obtive ¬¬ Poxa, mesmo que a media do povo tenha sido 4,5, e 6,5, eu não me contento com um quase top, quero ser top! haha Mais treino, mais dedicação!

    • Roger Lopes said,

      Sim, de fato escrever é basicamente treino, leitura e técnica. Alguns raros iluminados possuem a tal habilidade inata, mas a maioria de nós mortais só alcança um estágio acima da média com muito sangue, suor, lágrimas, celulose e nanquim. Porém, nem sempre o que define o reconhecimento eterno é a qualidade literária, mas o investimento publicitário que eleva medíocres como Paul Rabbit ao status de grande escriba. Todos sabem que o modelo fácil é vendável e o eruditismo é cada vez mais para poucos.

      Penso que se ao invés de uma dissertação você construiu uma crônica, isso deva ser considerado um elogio, afinal o segundo tipo é bem mais difícil de elaborar que o primeiro. Quanto ao conceito numérico de notas, é muito relativo, pois avaliadores são extremamente vaidosos e às vezes se deixam levar pelas normas em detrimento ao conteúdo. De qualquer forma, mesmo ciente da verdade contida na afirmativa de que o elogio corrompe, devo concordar que suas reflexões prosísticas são realmente ótimas.

      Caso sirva de consolo, meus melhores professores de redação jamais me deram notas altas, talvez porque notavam o tamanho de meu ego inflamado em relação a textos, hehehe

  6. Unsere Welten said,

    É, mas eu preciso elaborar boas dissertações, porque é isso que se pede na fuvest. Meu, dissertação é muito chato! Te poda em tudo! hehe não pode isso, não pode aquilo, evite usar isso, evite aquilo… blé, muito quadrado hehehe
    E você faizfavô de atualizar esse blog! Põe as engrenagens pra funcionar aí ;P

  7. Unsere Welten said,

    A propósito, obrigada pelo elogio, pra vir de você eu sei que só pode ser verdadeiro hehehe

    • Roger Lopes said,

      Well, particularmente não tenho essa ojeriza contra dissertações, ao contrário, até gosto, já que é um texto opinativo que obriga a ter conhecimentos variados sobre diversos assuntos. chato mesmo é o texto jornalístico, esse sim é um exercício de preenchimento de formulário.

      Quanto ao blog, pedindo assim com jeitinho, atualizá-lo-ei em breve, com todo o cinismo pessimista de Midgard, não se preocupe.

      Não há de quê, mas sempre disse que seus textos particulares eram realmente bons. Aquilo que era feito na Comunicação de Clean Field eu só levava em consideração quando convinha baixar um pouquinho o seu pedestal, hehehe

  8. Unsere Welten said,

    Bem, deixe-me ser mais clara então. A dissertação consiste basicamente em tese, argumentação (desenolvimento) e conclusão, realmente é necessário possuir um bom acervo de conhecimentos gerais para se desenvolver uma boa redação do gênero.

    Mas uma dissertação pode pode ser em forma de poesia, em prosa poética e até mesmo lírica. E prosa poética e o que mais gosto de escrever e sempre acabo enfiando um pouco de lirismo no meio.

    Talvez eu deva aprender a escrever uma boa dissertação nos moldes da fuvest para começar a gostar do estilo. Embora o que escrevi e entreguei para análise seja o suficiente para me botar la dentro, não é o suficiente para meu ego hehe

    • Roger Lopes said,

      Não precisa ser mais clara, entendi o que você quis dizer. Os seus textos enquadram-se no formato de dissertação subjetiva que remete ao modelo de prosa voltada às emoções e permite uma linguagem mais lírica, porém sem a estrutura da poesia. A Fuvest e outros vestibulares costumam variar entre a estrutura tradicional da argumentação objetiva e a subjetiva. O ponto em que discordo é que a segunda exija mais criatividade que a primeira. Pelo contrário, o grande foda é justamente fugir das teses convencionais com uma linguagem sem firulas egocêntricas, hehehe


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