11/10/2011

Assalto ao Banco Central

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , , , , às 05:50 por Roger Lopes

Durante as últimas crises econômicas, o então Grande Ditador Luis Stalin Molusco da Silva, comemorou com vodka russa e aplausos oficiais do servilismo midiático o fato de o sistema financeiro brasileiro passar incólume pelas turbulências internacionais. Como se fosse possível tais agiotas quebrarem praticando os juros mais extorsivos do mundo mediante a benção paternal de um governo cuja sanha tributária desenfreada só encontra similar na infinita benevolência para com a ganância de eméritos especuladores filhos da puta.

Como diz o provérbio, relembrar é viver puto. Então, cabe lembrar que no Regime do déspota anterior, Fernando Holocausto Cardoso, criou-se por meio de Medida Provisória o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional), salvaguarda hedionda via BNDES a instituições quebradas por roubalheiras e má administração. Conhecido na época como escândalo da Pasta Rosa, desviou somas astronômicas do erário para as mãos de banqueiros e ladrões ligados à equipe econômica do partido no poder, ficando o contribuinte com um prejuízo “Feito Pra Você!”

Tal fato já é de causar calafrios na medula óssea, mas a reciprocidade dos larápios eleitos com o auxílio do modesto capital financeiro em suas dissimuladas campanhas  vai muito além da singela caridade dos cofres públicos, sendo necessário impor a todo cidadão a manutenção de conta bancária, para que as instituições lucrem fortunas emprestando dinheiro alheio.

E as arbitrariedades não terminam, pois em nome da segurança, medidas ditatoriais de rapinagem são implementadas com inabalável conivência legislativa. De constrangedoras portas giratórias, que impedem o acesso do cliente, mas não dos assaltantes, até a limitação de horário para uso e de retirada de valores em caixas eletrônicos – os quais têm como habilidade mágica obrigar o correntista a pagar para fazer ele próprio o trabalho dos bancos enquanto estes “enxugam” seu quadro de funcionários – sob o pretexto de evitar sequestros relâmpagos. Quanta bondade, “Nem Parece Banco!”

Não bastasse a generosidade governamental, os tesoureiros do Império ainda brincam de Van Gogh com as cédulas de caixas eletrônicos explodidos, devolvendo novamente o ônus de sua obra de arte à sociedade, jogada compulsoriamente no papel de receptor. O quadro que se desenha é por demais surreal, afinal quando o cidadão é assaltado, não só pelos bancos, mas também por outros bandidos, deve assumir o prejuízo. Então, por que cabe à população se responsabilizar pelos custos causados justamente por uma Indústria da Insegurança patrocinada por banqueiros detentores das principais companhias de seguro e pela incompetência de um Estado títere dessa voracidade?

É absurdo exigir que a população ande com lupa no bolso para verificar se a porra da nota está pintada, queimada, rabiscada, cagada ou merda semelhante, sob o risco de perdê-la para que os tubarões monetários mantenham intocados seus ganhos exorbitantes. Se não conseguem controlar a criatura violenta parida do próprio ventre, que façam um seguro de seus vultosos patrimônios ou, Pelos Relógios Derretidos de Dalí, venham pintar como eu pinto.

Resumindo essa Ópera do Malandro, o mais recente gesto de boa vontade da leviandade politiqueira fora proibir o uso de celular pelo cidadão nas desamparadas dependências bancárias. Tudo visando o bem estar do cliente para que não fiquem vulneráveis à ação dos malandros que transitam livremente nas agências, sujeitando-as a possíveis indenizações. Assim como a patética Lei de Desarmamento, o truque escondido na cartola é retirar do cidadão seus direitos civis ao invés de melhorar a segurança pública. Senhor banqueiro, tenha você também, um Banco Central de Vantagens!

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19/09/2011

Band-aid na Gangrena

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , às 18:42 por Roger Lopes

Após eterno período hibernando em berço esplêndido, pequena parcela deste florão da América acorda de um sonho intenso para notar o tumor maligno que se alastra por sua próstata. Exaustas do repetitivo repertório de denúncias envolvendo o nome de cancros ligados ao atual proctologismo governamental (não que os anteriores também não fossem dados a enfiar o dedo no cu da população), comunidades de internautas começam a se mobilizar em marchas contra a Corrupção. Indignação legítima e digna de aplausos por parte de qualquer pessoa com um mínimo de vergonha na cara.

Entretanto, faz-se necessário questionar se essa aberração disforme que cresce alimentando-se nas entranhas das mesmas instituições que deveriam combatê-la pode ser extirpada por meros placebos verborrágicos, pois não é preciso ser nenhum sociólogo exilado na Sorbonne para perceber que o monstro voraz se esconde justamente sob os narizes putrefatos da própria sociedade, conivente com os jeitinhos, o menor esforço, as facilidades e os “cafés” cedidos para aliviar a barra de “inofensivos delitinhos”.

Consequentemente, tal unguento, como todo ativisminho acéfalo, não possui em sua fórmula conhecimento analítico e menos subjetivo da origem da doença que almeja curar, sujeitando-se a ser mais um movimento festivo metido a revolucionário em terras autóctones, sequer cogitando a remoção do câncer que infesta o corpo constitucional, contentando-se em cassar duas ou três células podres, que provavelmente terão seus direitos políticos restituídos, tão logo passe o efeito das vacinas sensacionalistas.

No receituário de seu Contrato Social, o doutor Jean-Jacques Rousseau diagnostica que “assim como o regime das pessoas saudáveis não convém aos enfermos, não se deve querer governar um povo corrupto pelas mesmas leis que convém a um povo bom.”

Na aparência, a campanha movida pela internet é um grande processo de mudanças comportamentais, democráticas, sociais, políticas, blá blá blá, porém na prática o heroísmo apregoado não passa de um Band-aid na gangrena que corrói a estrutura do país, sendo demasiadamente cego para identificar na quantidade absurda de leis imbecis surgidas a cada dia, na extorsão tributária, nos meandros burocráticos, na subserviência partidária, na supressão das liberdades individuais e coletivas, nos processos eletivos viciados, no autoritarismo desenfreado, nos assistencialismos baratos, na falta de cidadania e educação, no tráfico de influência, nas desigualdades econômicas e na cultura da pobreza, as condições para a evolução da ferida aberta em todos os poderes da República.

Palavras de ordem a favor de quimeras democráticas, resultam geralmente em tirania similar à de outros movimentos falidos como o “Diretas Já” e o “Caras Pintadas”. O primeiro teve como grande mérito apoiar a troca da ditadura física dos milicos pela psicológica do fisiologismo partidário, com o agravante de jogar nas costas dos cidadãos o ônus de indenizações obscenas a estelionatários políticos que jamais tiveram qualquer compromisso com a nação. O segundo, nada mais foi do que um carnaval fora de época patrocinado por grande emissora de televisão, que via parte de seus interesses contrariados naquele momento. Em ambos os casos, os titereiros conduziram com enorme maestria a manipulação das cordas de suas marionetes.

Quem comprou pela primeira vez seu nariz de palhaço, roupa preta, corneta, flâmula revolucionária e saiu em desabalada carreira gritando “você é a doença, eu sou a cura”, lembre-se que os Sarneys, Fernandos, Dirceus, Genoínos, Mottas, Rorizes, Magalhães, Guimarães, Jefersons, Carneiros, Pittas, Ladrufs, Kassabs, Costas Neto, Sobrinho, Primo, Filho, Pai e Avô, Garotinhos, Garotinhas, Moluscos de nove dedos, etc etc etc, são apenas reflexos da hipocrisia popular numa sala de espelhos distorcidos (ou não).

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08/08/2011

Lei do Saco Orgânico Cheio

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , às 00:16 por Roger Lopes

É admirável a eficácia com que os benevolentes heróis da Távola Nacional suscitam malvados vilões e criaturas horripilantes para justificar medidas vampirescas de sangria tributária em nome do bem-estar social, colocando novamente no bosque encantado dessa fábula contemporânea, a donzela em apuros da vez, Lady Sustentabilidade. Bravos cavaleiros de reluzentes armaduras sociais, imponentes estandartes partidários e espadas legislativas afiadas elevam-se em seus radiantes corcéis relinchantes para liquidar o mais maléfico dos servos de Satanás, o horrendo megaloconsumidor inimigo das causas verdes.

O cacarejo dos papagaios de pirata ambiental de que o capim em breve não dará para todos, encontra eco nos preocupados representantes deste país tropical abençoado por corruptos e hipócrita por natureza, mas que beleza. E em fevereiro tem carnaval e afrodescendentes chamadas Tereza para cidadãos de nacionalidade britânica apreciar.

Nobres amiguinhos Wiccas comedores de alface, comove feito novela mexicana que o renomado Estado de Direito Totalitário Brasileño disponha de seu precioso tempo para elaborar legislações de indiscutível relevância ao futuro de seus servis eleitores, cônscios da importância de preservar o planeta para as próximas gerações, afinal este é o país da solidariedade, não é mesmo, ô da poltrona?

É de transbordar o Rio Amazonas as lágrimas de crocodilo emprestadas por essa corja de cínicos sacripantas e mesmo o saco do cidadão não sendo de plástico, já deveria estar irremediavelmente cheio de tantas baboseiras demagógicas instituídas neste feudo federativo.

Faz-se necessário supremo exercício de imaginação para admitir que alguém que não possua interesses escusos e de marketing pessoal, seja suficientemente ingênuo para crer, tanto em relação à draconiana “Inspeção Veicular Obrigatória”, quanto à ignóbil “Lei das Sacolinhas Plásticas”, que exista qualquer objetivo filantrópico maior do que simplesmente expropriar da onerada população mais um obolozinho em impostos e de quebra contribuir para o lucro dos amigões financiadores de ricas campanhas eleitoreiras, entre eles empresas terceirizadas de origem duvidosa, grandes montadoras e conhecidas redes de hipermercados.

O argumento de fiscalizar veículos automotivos visando melhoria das condições do ar e de proibir o fornecimento de sacos plásticos, a fim de minimizar o problema de decomposição de tais resíduos, não passa de meia verdade, ou no caso, mentiras inteiras para justificar mais um proctologismo governamental.

Mais deprimente que a retórica perdulária, apenas os aplausos idiotizados de programa de auditório advindos da turminha verde, que não enxerga um abismo à frente do nariz, sequer dando-se conta de quão títeres conseguem ser ao defender suas bandeirinhas autoritárias em defesa de um saudável mundo melhor. Viver no meio da selva rodeado por lobos (como se na metrópole fosse diferente), tomando banho frio, locomovendo-se de cipó e sem fast food quentinho, ninguém quer, não é mesmo?

03/04/2011

Método Ludovico Para Um Admirável Brazil Novo

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , , , , , , às 22:32 por Roger Lopes

Alguns pessimistas leais perceberam o enorme hiato entre o último desabafo desesperançado deste implicante incrédulo e o momento presente. Obviamente que esta catatonia não deriva nem em sonho doce de padaria pela ausência de matéria-prima digna de irritar ao mais pollyanesco dos seres sapiens, mas pelo simples resfriamento do magma biliar após sucessivas erupções vulcânicas contra o escárnio desta Pompéia Federativa da Corrupção Nacional.

Dir-se-ia que a felicidade é cortejada pela ignorância, razão pela qual me permiti por algum tempo ser voluntário no processo behaviorista de lobotomização estilo “Ludovic Experiment”, impondo-me tamanha náusea e repugnância perante o exercício da cognição e aceitando o modelo do conformismo junto a imutável credulidade da opinião pública em relação às atrocidades governamentais, para inserir-me neste Admirável Brazil Novo, esplendidamente decantado pela conivência dos canais midiáticos.

Cabe, portanto, acreditar que vivemos sob os raios fúlgidos do tal sol da liberdade ou admitir que a única salvação possível para esta versão republicana de Sodoma e Gomorra se dará exclusivamente por meio da chegada de um meteoro anunciado pelas trombetas dos quatro cavaleiros do apocalipse, consumindo em chamas e enxofre até as baratas vestidas com a camisa da seleção canarinho, para que nada mais procrie nesta terra abençoada pela safadeza.

Afirma a máxima que o silêncio fala mais alto que gritar. Ledo engano, afinal é exatamente a mordaça despótica aplicada às poucas vozes insurgentes e a demagogia da pseudo-democracia que esconde os grilhões de chumbo, nos fazendo deitar sob o julgo feudal de uma oligarquia política descendente de genitoras de cunho sexual mercantil moralmente discutível, sem permitir ao país acordar do coma em que se encontra.

Mas deixando as justificativas de lado, vamos aos fatos. Incentivado por alguns leitores inexplicavelmente simpáticos às minhas rabugentices cronísticas, joguei fora a planta da felicidade, postei-me frente ao meu companheiro cibernético de cela, liguei o aparelhinho condicionador de cordeiros e bovinos e processei rápida atualização sobre as últimas putarias Made in Brazil. E o que parecia mais árduo que os doze trabalhos de Héracles, mostrou-se mais fácil que os gregos enfiarem um cavalo de madeira rabo adentro daquela antiga polis troiana subjugada pela própria ambição. De início, nada de novo no front; taxa de juros na estratosfera, elevação dos benefícios da parasitária corja política, celeuma teatral para conceder mísero aumento ao mínimo salário mínimo, permissão da inútil Agência Nacional de Energia Elétrica (ANAEL) para as concessionárias sanguessugas reajustarem tarifas a bel prazer, mais e mais sangria de impostos para a farra do dinheiro público e assim por diante.

Entretanto, a primeira pérola jogada à suinidade latente veio em estapafúrdia propaganda partidária, cuja desgranhenta sigla fisiológica me recuso a pronunciar, pois esses desclassificados não merecem de minha parte sequer publicidade negativa, onde um proxeneta sorridente sugere a aviltante balela de que existem bons e maus políticos e que por conta deles o país caminha em direção a uma onda de mudanças e justiça social. Que morram em eterna agonia esses salafrários. O ápice da hipocrisia encontra seu amparo na genialidade do slogan: “Se os seus amigos dizem que nada vai mudar, não mude de idéia, mude seus amigos!”. É preciso dizer mais?

Enquanto as efervescências gástricas me corroíam em poucos segundos de exposição televisiva, o intervalo comercial seguinte anunciava que para azia, queimação e indisposição estomacal, Epocler é alívio imediato e persistindo os sintomas, um médico deverá ser consultado. Indago se essa estratégia não faz parte daquela tal venda casada à qual se referem os órgãos de defesa do consumidor.

Apenas isso já estava de bom tamanho para este editorial, mas a abstinência de ódio queria mais. Mantive a caixinha de circuitos eletrônicos integrados torpedeando informações provenientes da sucursal do inferno na Terra e em pouquíssimo tempo, novo golpe. Dessa vez um achólogo nobremente preocupado com as condições climáticas aferia que “o carro é um belo símbolo do individualismo!”. Não pude conter um “vai tomar no cu” e decidi que isto fica como assunto a ser abordado detalhadamente em outra oportunidade, afinal o governo adora o discursinho ambiental demagógico e vazio, tanto que criou um imposto para inspecionar veículos malvados que agridem o indefeso meio-ambiente. Altruístas eles, não?

Mas as estomatites ainda não encontravam-se em ponto de ebulição até o anúncio da tão aguardada “Reforma Política”, que retira ainda mais o pouco controle da sociedade sobre a hedionda escória politiqueira, para dar a estas um absolutismo monárquico somente comparável ao dos grandes tiranos da história.

Evidentemente estas linhas não farão qualquer diferença na condução ou intervenção dos acontecimentos, mas servem como registro histórico do surgimento embrionário de um sistema totalitário na terra do carnaval por meio da subtração e cerceamento de direitos coletivos e individuais. Que não se reclame depois quando o Grande Irmão estiver olhando por você.

09/11/2010

Entre o Dente e a Mandíbula

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged às 10:59 por Roger Lopes

Pior do que o espírito pessimista é a resignação mediante a percepção de que mudanças positivas na cultura simplória do país é mera utopia. Até onde foi possível, me omiti das campanhas politiqueiras e do patético processo eletivo incentivado por propagandas oficiais maniqueístas, visando convencer o populacho da importância do voto útil para esta ilusória democracia.

Democracia amparada apenas pelo voto direto, desassociada da equidade social e monetária, liberdade de expressão e desenvolvimento intelectual e sustentada pela manipulação corporativa, escravização midiática, opulência de poucos e miserabilidade de muitos, nada mais é que arremedo eleitoreiro.

Por singela questão de princípios, não dou meu voto a filho da puta nenhum, pois caso nunca tenha dito, político bom é político morto e exercer cidadania é exterminar um amaldiçoado desses por dia. Esta aberta a campanha, quem se habilita?

A polarização entre partidos fisiológicos sem qualquer ideologia que não seja abocanhar os cada vez mais vultosos recursos da economia brasileira, com objetivos bem diversos aos alegados investimentos no futuro da nação, não deixa muitas escolhas aos eleitores.

As supostas opções remetem à questão, é preferível ser devorado por um gigantesco crocodilo do Nilo ou dilacerado por um enorme tubarão-branco na costa australiana? Sei lá, a única certeza é que diante de tais leviatãs a paralisia é inevitável e mesmo sobrevivendo aos ataques, as sequelas serão terríveis. Estas são as hipóteses que as eleições neste Brasil varonil nos dão, ser abocanhado pelos grandes dentes peessedebistas ou pelas largas mandíbulas petistas. De um jeito ou de outro, estamos irremediavelmente fudidos.

28/09/2010

Desrespeitável Público

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , às 15:24 por Roger Lopes

Desrespeitável público, o circo está de volta à Terra da Bandalheira. Tem bandeirinha, corneta, pipoca e picadeiro. Tem alegria, muita diversão e, claro, palhaços a dar com o pau. Dos dois lados do palco. E cidadão que sou, mais uma vez fui convocado para ser voluntário no maior espetáculo da terra, o processo eletivo brasileiro, pilar da democracia. Pois sim, joguem areia em meus olhos.

E como não poderia deixar de ser, a trupe de picaretas querendo se fartar a custa de cargos públicos cada vez aumenta mais. Apresentadores de rádio e televisão, jogadores e dirigentes de futebol, boxeadores decadentes, promotores que usam casos sensacionalistas para se promover e até atores e atrizes pornôs ganham o horário eleitoral “gratuito”. Não sei se é pra rir ou chorar.

Já que não pretendo contribuir para essa picardia votando em filho da puta nenhum, procurei ficar incólume dessa ridícula corrida eleitoreira. Entretanto, por mais que quisesse, não consegui fugir do assunto do momento, a campanha irreverente do palhaço Tiririca a Deputado Federal e a caça às bruxas que se forma no horizonte.

Longe de querer ser advogado da malandragem disfarçada de sorriso, mas é evidente que por um breve instante a piada sem graça tirou a sociedade de sua contumaz letargia. As questões levantadas com pilhérias do tipo “Você sabe o que faz um deputado? Nem eu”, de forma inesperada isqueirou a fagulha do questionamento no povinho abestado e arranhou a imagem engravatada de todos os pilantras que enveredam pelo caminho do fomento à miséria denominado política.

Prova disso é o ofício expedido pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo à Justiça Eleitoral, visando tirar o menestrel Tiririca de cena, em razão de uma possível ocultação proposital de bens pessoais à Justiça, enquanto outras correntes propõem banir o comediante enquadrando sua campanha por infração ao artigo 5º da resolução 23.191 do TSE, que diz: “A propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais (Código Eleitoral, art. 242, caput)”.

Entretanto, impugnar a candidatura do palhaço com base nessas considerações seria um verdadeiro tiro no pé da panfletagem eleitoreira oficial e do pseudo processo democrático, suprimindo o direito à liberdade de expressão, pois todo brasileiro sabe que seus representantes políticos são arlequins corruptos trajando ternos Armani. Tiririca apenas se veste adequadamente para o circo que é a política nacional, mas o modelo propagandístico orwelliano não permite macular a imagem do Grande Irmão Eleitoral. Como diria o velho ditado, só dói quando ele ri.

Partindo do princípio De Gaulle de que a Joan Mother’s Home não é definitivamente um país sério, é óbvio que a mediocridade cultural do povinho fútil, retardado, fraco, promíscuo e corrupto, não apenas elegerá o bufão como seu representante, mas propiciará a ele uma das mais representativas soma de votos de todos os tempos. Quem duvida põe o dedo aqui, bem no fogo da hipocrisia brasuca.

Dedadas no rabo a parte, o governo gastou uma fábula para convencer o populacho da seriedade deste processo de escolha sem credibilidade alguma e de repente se viu surpreendido com um tabefe na fuça, dado pelas verdades ditas pelo candidato polichinelo, pois este não é pior do que nenhum dos safados que se perpetuam ad infinitum no poder à base do tradicional pão e circo. Afinal, como ele próprio afirma, “pior do que tá, não fica”.

23/11/2009

Pensamento do Dia

Posted in Político Bom é Político Morto às 22:49 por Roger Lopes

Apresente-me um político e lhe mostrarei a criatura mais pobre, vil, corrupta, desprezível, perniciosa, abjeta e degradante  dentre toda a ralé pútrida que já infectou o solo deste planeta.

Um a Menos e Contando

Posted in Político Bom é Político Morto às 17:33 por Roger Lopes

Não tenho amigos políticos, pois se são políticos não são meus amigos. O porra do Celso Pitta desceu. Foi tarde. Um a menos e contando, mas ainda falta uma caralhada desses merdas para devolver à latrina fétida de onde jamais deveriam ter saído.

05/08/2009

Regra às Exceções

Posted in Político Bom é Político Morto às 23:19 por Roger Lopes

Consiste num trabalho árduo de policiamento das próprias convicções evitar a tentação de generalizar acerca da natureza das coisas. Incorrer na premissa de misturar joio, trigo, farinha, ovo, leite, água, cimento, cal, areia e o escambau para formar uma maçaroca homogênea, é um exercício extremamente injusto para com os elementos que resistem bravamente a fim de manter integras suas características originais, recusando o discurso único e o consenso por conveniência.

Procuro (devo admitir, nem sempre com êxito) não promover juízo generalizado de valores, identificando nominalmente os bois e as vacas. Pode parecer credulidade e demagogia exacerbadas, mas penso que até mesmo dentre a classe dos advogados é possível encontrar pessoas de boa índole.

No entanto, para uma categoria (ou falta disto) concedo a dádiva da exceção, pois dentre todas as pústulas sifilíticas existentes nesse país, nada merece mais o estereótipo da vigarice que nossa abjeta classe política. Pode-se afirmar tranquilamente que não se encontra nesse meio um mísero ser que possua ao menos um pingo de vergonha na cara e sustente algum compromisso com a sociedade. Ao contrário, não passam de picaretas e bandidos legislando em causa própria, em benefício de partidinhos fisiológicos corporativistas ou para espertalhões financiadores de campanha.

Tal consternação não advém de mera especulação poética, mas de contato direto com a língua bifurcada dessa raça escrota de exploradores da miséria humana, cuja malandragem tem início no mais elevado cargo eletivo desta republiqueta de bananas, descendo abissalmente até níveis regionais, onde vereadores corruptos e suas trupes de assessorzinhos puxa-sacos, infiltrados estrategicamente em órgãos públicos e entidades de “assistência social”, realizam suas negociatas escusas em troca de favores eleitoreiros.

Tudo às custas de dinheiro público originado dos extorsivos e infindáveis impostos, compulsoriamente surrupiados do bolso fudido de cidadãos produtivos, cortesia dos sucessivos golpes constitucionais instituídos por pilantras sociais-democratas e pseudos-socialistas. E tem idiota que considera isso normal. É foda.

29/07/2009

Político Bom é Político Morto

Posted in Político Bom é Político Morto às 19:59 por Roger Lopes

A sociedade brasuca carece de heróis, mesmo com a subserviente mídia fazendo seu papel sujo e transformando grandes filhos da puta ligados ao poder em iluminados defensores da legalidade e dos direitos constitucionais, afinal, é praxe imputar a qualquer canalha, depois de morto, uma condição biográfica permeada por inquestionável conduta cívica e moralidade. Até o coroné Antonio Carlos Magalhães hoje é tido pela fabriqueta de lavagem cerebral jornalística como notório humanista e inestimável prestador de serviços ao processo democrático e à pátria que o pariu. Faz-me rir, porra! 

Como no país do carnaval e circo sem pão apenas essa raça miserenta, que nos faz eternamente de palhaços, recebe o emblemático título de paladinos da justiça com direito a medalhinha de honra ao mérito, considerando a natureza longeva destes sistemáticos corruptos (os merdas custam a morrer de causas naturais, artificiais ou mesmo sobrenaturais), início aqui uma campanha de utilidade pública para assegurar novos ídolos à nossa aclamada Joan Mother’s Home, levantando a bandeira “Precisamos de heróis. Cidadão de bem, faça sua parte! Mate um político brasileiro por dia e torne o mundo melhor”.

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