09/11/2010

Entre o Dente e a Mandíbula

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged às 10:59 por Roger Lopes

Pior do que o espírito pessimista é a resignação mediante a percepção de que mudanças positivas na cultura simplória do país é mera utopia. Até onde foi possível, me omiti das campanhas politiqueiras e do patético processo eletivo incentivado por propagandas oficiais maniqueístas, visando convencer o populacho da importância do voto útil para esta ilusória democracia.

Democracia amparada apenas pelo voto direto, desassociada da equidade social e monetária, liberdade de expressão e desenvolvimento intelectual e sustentada pela manipulação corporativa, escravização midiática, opulência de poucos e miserabilidade de muitos, nada mais é que arremedo eleitoreiro.

Por singela questão de princípios, não dou meu voto a filho da puta nenhum, pois caso nunca tenha dito, político bom é político morto e exercer cidadania é exterminar um amaldiçoado desses por dia. Esta aberta a campanha, quem se habilita?

A polarização entre partidos fisiológicos sem qualquer ideologia que não seja abocanhar os cada vez mais vultosos recursos da economia brasileira, com objetivos bem diversos aos alegados investimentos no futuro da nação, não deixa muitas escolhas aos eleitores.

As supostas opções remetem à questão, é preferível ser devorado por um gigantesco crocodilo do Nilo ou dilacerado por um enorme tubarão-branco na costa australiana? Sei lá, a única certeza é que diante de tais leviatãs a paralisia é inevitável e mesmo sobrevivendo aos ataques, as sequelas serão terríveis. Estas são as hipóteses que as eleições neste Brasil varonil nos dão, ser abocanhado pelos grandes dentes peessedebistas ou pelas largas mandíbulas petistas. De um jeito ou de outro, estamos irremediavelmente fudidos.

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28/09/2010

Desrespeitável Público

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista, Político Bom é Político Morto tagged , às 15:24 por Roger Lopes

Desrespeitável público, o circo está de volta à Terra da Bandalheira. Tem bandeirinha, corneta, pipoca e picadeiro. Tem alegria, muita diversão e, claro, palhaços a dar com o pau. Dos dois lados do palco. E cidadão que sou, mais uma vez fui convocado para ser voluntário no maior espetáculo da terra, o processo eletivo brasileiro, pilar da democracia. Pois sim, joguem areia em meus olhos.

E como não poderia deixar de ser, a trupe de picaretas querendo se fartar a custa de cargos públicos cada vez aumenta mais. Apresentadores de rádio e televisão, jogadores e dirigentes de futebol, boxeadores decadentes, promotores que usam casos sensacionalistas para se promover e até atores e atrizes pornôs ganham o horário eleitoral “gratuito”. Não sei se é pra rir ou chorar.

Já que não pretendo contribuir para essa picardia votando em filho da puta nenhum, procurei ficar incólume dessa ridícula corrida eleitoreira. Entretanto, por mais que quisesse, não consegui fugir do assunto do momento, a campanha irreverente do palhaço Tiririca a Deputado Federal e a caça às bruxas que se forma no horizonte.

Longe de querer ser advogado da malandragem disfarçada de sorriso, mas é evidente que por um breve instante a piada sem graça tirou a sociedade de sua contumaz letargia. As questões levantadas com pilhérias do tipo “Você sabe o que faz um deputado? Nem eu”, de forma inesperada isqueirou a fagulha do questionamento no povinho abestado e arranhou a imagem engravatada de todos os pilantras que enveredam pelo caminho do fomento à miséria denominado política.

Prova disso é o ofício expedido pela Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo à Justiça Eleitoral, visando tirar o menestrel Tiririca de cena, em razão de uma possível ocultação proposital de bens pessoais à Justiça, enquanto outras correntes propõem banir o comediante enquadrando sua campanha por infração ao artigo 5º da resolução 23.191 do TSE, que diz: “A propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais (Código Eleitoral, art. 242, caput)”.

Entretanto, impugnar a candidatura do palhaço com base nessas considerações seria um verdadeiro tiro no pé da panfletagem eleitoreira oficial e do pseudo processo democrático, suprimindo o direito à liberdade de expressão, pois todo brasileiro sabe que seus representantes políticos são arlequins corruptos trajando ternos Armani. Tiririca apenas se veste adequadamente para o circo que é a política nacional, mas o modelo propagandístico orwelliano não permite macular a imagem do Grande Irmão Eleitoral. Como diria o velho ditado, só dói quando ele ri.

Partindo do princípio De Gaulle de que a Joan Mother’s Home não é definitivamente um país sério, é óbvio que a mediocridade cultural do povinho fútil, retardado, fraco, promíscuo e corrupto, não apenas elegerá o bufão como seu representante, mas propiciará a ele uma das mais representativas soma de votos de todos os tempos. Quem duvida põe o dedo aqui, bem no fogo da hipocrisia brasuca.

Dedadas no rabo a parte, o governo gastou uma fábula para convencer o populacho da seriedade deste processo de escolha sem credibilidade alguma e de repente se viu surpreendido com um tabefe na fuça, dado pelas verdades ditas pelo candidato polichinelo, pois este não é pior do que nenhum dos safados que se perpetuam ad infinitum no poder à base do tradicional pão e circo. Afinal, como ele próprio afirma, “pior do que tá, não fica”.

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