24/07/2009

O Neopessimista – Começando Bem (ou mal, sei lá)

Posted in Neopessimista tagged , , , às 22:51 por Roger Lopes

O ex-presidente entreguista Fernando Hitler Cardoso, atualmente plagiado pelo companheiro ditador bolchevique Luis Stalin Lula da Silva, no auge de sua arrogância tinha como premissa básica denegrir seus críticos por meio de retóricas cínicas e pejorativas como “neobobos” e “neopessimistas”.

Pessimista, radical, rabugento, ranzinza, reclamão, resmungão, implicante, intolerante, intransigente, presunçoso, arrogante e mais uma caralhada de adjetivos menos elogiosos que os bons costumes me impedem de transcrever. Desde os áureos tempos de moleque briguento, passando pela nerdice adolescente à base de gibis e revistas pornográficas até esta pacata vidinha boêmia e desregrada, carrego comigo essa penca de estigmas (não tão injustos, penso eu), pero confesso que por um bom tempo tais lisonjas me incomodaram mais que hemorróida, patologia que, apesar de grande consumidor de condimentos apimentados, ainda não possuo, mas que imagino ser algo extremamente desagradável. Hoje,  porém, as recebo até com certo ar de passividade fleumática, apesar de eventuais xiliques existenciais.

Não pretendo, no entanto, alongar este editorial com biografias enfadonhas, cuja chatice remeteria aos longínquos idos de 72, quando, segundo meus pais, um filho da puta vestido de branco me deste uma porra dum tapa na bunda acarretando uma choradeira digna das trombetas do apocalipse. Tal fato, acredito, seja mais uma daquelas lorotas inofensivas contadas pelos genitores às suas proles para controlar o ego e a mania de grandeza inerentes à condição natural do hormônio dominador masculino, pois macho de respeito chora apenas quando o time do coração perde título de campeonato regional, nacional ou mundial de futebol.

Mas, deixemos as elucubrações genéticas para outra hora e versemos sobre o que realmente interessa, o ceticismo deste blog em relação ao futuro do país, transformado em latrina por uma cambada de oportunistas de plantão e um povo fraco, submisso, hipócrita, corrupto e recentemente travestido de um pseudo conservadorismo patético, além das já tradicionais putarias políticas e falta de vergonha na cara dos representantes legislativos, executivos e judiciários.

Atribuir a responsabilidade de todas as filhadaputices ocorridas no Brasil exclusivamente à fétida classe política seria uma grave injustiça com os outros pilantras infectos que permeiam o nosso solo, afinal essa corja de títeres vagabundos só transforma a nação numa Joan Mother’s Home por causa da conivência popular e da nefasta “Lei de Gérson”, que enaltece quem sempre tenta “se dar bem em tudo” por meio do jeitinho brasileiro.

Faz-se necessário, no entanto, um pequeno apêndice para agradecer sinceramente aos meus zelosos pais pelas sucessivas vezes que precisei usar calças compridas para esconder as marcas de cinta e sulcos de pneu de caminhão (o seu Crécio fazia os próprios chinelões de forma artesanal com essa rica matéria-prima), além dos orgulhosos vergões produzidos pelas nada saudosas varinhas de marmelo e espadas de São Jorge (naquela época não tinha essa baboseira de estatutos dos sete mil infernos que hoje cria uma legião de marginais mirins e metamorfoseia jovens mancebos em donzelas), essenciais à formação do caráter e do aprendizado prático do significado das palavras honestidade, valores morais e conduta ética, cuja eficiência me ajudou a entender que roubar é feio e a jamais por as mãos no que não é meu, preservando intactos os princípios (e consequentemente os parcos e cariados dentes), independentemente das facilidades oferecidas.

Em face à irrefutável lógica dos dóceis questionamentos paternais do tipo “que merda de nota é essa, moleque?”, entre um importante clássico futebolístico contra a rua de baixo e embates homéricos frente à viela de cima, resolvi dedicar-me com algum afinco aos estudos. Lia de tudo. Qualquer coisa rabiscada com um mínimo de coerência que caísse em minhas mãos (exceto auto-ajuda e charlatanisms estilo Paul Rabbit, afinal degradação tem limite) virava artefato literário. E assim, modéstia às favas, adquiri considerável grau de eruditismo e incurável senso crítico (em outras palavras, fiquei chato para cacete).

Todavia, mesmo com os profundos conhecimentos teóricos a respeito da evolução das espécies e o caralho a quatro, este humilde redator sempre denotou incrível habilidade inata (além de uma puta miopia, astigmatismo e descolamento da retina) para não enxergar um palmo a frente do nariz e uma propensão ímpar à burrice e ingenuidade, sendo não raro alçado à inconteste posição de babaca mor. Tal condição reiterou-se por um número relativo de vezes, até o definitivo entendimento de como a roda gira em determinadas situações, sendo relevante esclarecer que tal percepção deu-se de forma nada intuitiva, mas fundamentada em considerações lógicas, racionais, físicas e até filosóficas.

A assustadora conclusão é que definitivamente, salvo em ambientes onde impera o cinismo e a maquiavelice, o conhecimento não se relaciona diretamente à felicidade. Quanto mais pensamos acerca das maquinações e injustiças, mais céticos, mal-humorados, intolerantes e pessimistas nos tornamos. Isto, falando de forma generalizada, pois se afunilar a análise em termos de povo brasileiro, fudeu. Povinho de atitudes subserviente e malandra, resultado da maldita herança latino-católica que aqui se instalou, refletindo a cultura assistencialista voltada à exploração e a política da dependência por meio de esmolas oficiais, eufemisticamente denominadas programa social e reparação histórica.

E é devido a essa conclusão que abro esse novo espaço de angústias sob a alcunha elementar de “Pessimismo em Gotas”, um canal de extravaso para aqueles que como eu desacreditam da possibilidade de o Brasil vir a ser um país sério antes do próximo dilúvio ou que o mundo, a humanidade e a Austrália tenham alguma salvação.

Pois é, senhor Vigarista Henrique Cardoso, neobobos é o caralho!

Roger, o Neopessimista

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