05/07/2011

Trombetas Verdes do Apocalipse Now

Posted in Assim Caminha a Bovinidade, Detestável Mundo Novo, Neopessimista tagged , , , , , , , às 00:15 por Roger Lopes

A venda antecipada de ingressos para o “Is The End of The Word Festival”, maior evento midiático desde o “Genesis Pallooza”, tem gerado desde o século passado uma corrida desenfreada entre os diversos grupos protagonistas de arte messiânica alarmista em busca de um lugar sob as luzes armagedônicas da ribalta. Enquanto organizações malthusianas de todas as facções se acotovelam entre fundamentalistas e visionários charlatões, a Indústria Ditatorial do Verde há tempos desponta conduzindo teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.

Nada mais outsider e descolado no mundo contemporâneo do que bradar nos megafones a salvação planetária com seus grudentos clichês “Pequenas Ações Geram Grandes Resultados Style” ou então curtindo a página “Unilever Cada Gesto Conta”, no Facebobo, como se isso fizessse alguma diferença. Meus bagos ecológicos que fazem. Essa ladainha, por mais consciente que possa parecer, interessa apenas aos grandes grupos predatórios, aos Estados despóticos e às abomináveis Organizações Não-Governamentais subsidiadas pelo governo (um dia entenderei tal paradoxo). O restante dos ruminantes apenas segue a cantilena aonde a vaca vai, o boi vai atrás.

Podem gritar, podem gemer, podem espernear os adeptos da demagógica “verdade inconveniente”, mas é claro e cristalino como as águas do Niágara, que o discurso do ativismo verde nada mais é do que show business reacionário. Princípio básico da economia liberal clássica, “Lei da Demanda e da Procura” ou quanto maior a oferta, menor o preço. Quanto mais escasso o produto, e consequentemente, maior a procura, preços e lucros na estratosfera. Sem livre concorrência, pois “Mão Invisível” aqui só se for na bunda da dona Flora e da senhorita Fauna.

Caso não tenha ficado devidamente óbvio, esclareço: recursos naturais são hoje produtos de consumo mais caros que qualquer outro, inclusive tecnológicos. Quando idiotas desinformados ou simplesmente manipuladores de opinião passam a bradar com suas trombetas apocalípticas ao fim iminente das dádivas naturais, os cifrões das bolsas de investimentos triplicam na proporção do preço dos vegetais, dos minerais, dos animais, da energia elétrica, dos combustíveis, da água, do oxigênio, do gás-carbônico e até da fotossíntese. E quem paga essa conta é você, ativistinha da ditadura esmeralda.

“Sustentabilidade”, eufemismo magnificamente disseminado pelos Goebbels da moderna propaganda ideológica ambiental. Não é difícil perceber como os maiores conglomerados em todos os segmentos, seja no dia mais claro ou na noite mais densa, tornaram-se Lanternas Verdes preocupados com a Terra.

Bancos, petroquímicas, laboratórios farmacêuticos, montadoras de automóveis, hipermercados, fabricantes de salsicha, consultoras Jequiti, cervejarias, pet shops, empresas de pasta de dente, concessionárias de telefonia e até partidos políticos possuem sofisticados ecoslogans bacanudos. “Use seu Green Ecological Blaster Card Plus e durma com a consciência ecossocial trânquila!”. “Compre um Ecomóvel 4×4 Diesel e deixe-o na garagem fazendo sua parte!”. “Celulares Biodegradáveis, tecnologia a favor do planeta”. “Carne é morte, o peido bovino destrói a camada de ozônio. Coma salsichas de capim e tenha um intestino sustentável!”. “Elemental, meu caro Al Gore!”.

Impossível esmiuçar num único artigo todo o fascismo contido na retórica ambiental. Retórica, pra quem não sabe, é uma técnica filha da puta, atualmente muito utilizada por mulheres e chantagistinhas mirins, introduzida na época das odisséias homéricas por Sócrates (o filósofo grego, não o jogador de futebol) em seus ensinamentos, que consiste em, corrijam-me se eu estiver errado, questionar reiteradamente o adversário, emputecendo-o ao ponto de perder as estribeiras, confundir-se e cair em contradição mediante tantos porquês disso e daquilo. Não por acaso, essa mania besta fez com que obrigassem o tiozinho a beber um balde de cicuta e fosse torrar o saco de seus ancestrais no Olimpo.

Dessa forma, a extremada e vazia ameaça ecoaporrinhadora, segue a lógica cabalística demográfica proposta por Thomas Robert Malthus, no final do século XVIII, cujos preceitos vaticinavam que se a população mantivesse crescimento em proporção geométrica (2-4-8-16-32) enquanto a produção de alimentos permanecesse em ritmo aritmético (1-2-3-4-5), antes do século XX não haveria comida suficiente e o planeta se transformaria em uma sociedade Texas Unplugged Chainsaw Massacre com Leatherfaces por todos os lados.

O cenário na versão ecológica é mais ou menos a mesma coisa, porém sem árvores, ar respirável, água potável, baleias, golfinhos, pandas, onças-pintadas, o mico-leão-dourado e a ararinha-azul. Como já se sabe o pensador não contou com as descobertas científicas no campo da agricultura e da indústria alimentícia, dos avanços tecnológicos, das guerras, genocídios e extermínios sistemáticos de parte da população por regimes fascínoras.

É reconhecido na história que nenhuma ditadura se completa sem a criação de um inimigo à altura. Nenhuma manipulação das massas é possível se não houver em quem jogar a culpa pelas agruras sociais. O totalitarismo, seja por meio do elixir da bordoada bem dada, seja por meio do prazer conquistado com doces e guloseimas. Seja pela retórica revolucionária de esquerda ou pelo discurso reacionário de direita, apresenta em suas mais variadas formas um único objetivo, o controle sistemático e a manipulação do rebanho.

Não cabe de forma alguma contestar que o apelo do heroísmo protecionista do ecossistema não seja uma causa das mais nobres, pelo contrário. Entretanto, são justamente os paladinos quixotescos quem inadvertidamente sempre fornece aos tiranos  longe da extinção e déspotas da pior espécie os meios para perpetuarem o absolutismo compulsório sobre a nação. Intromissões desprovidas de fundamento técnico em obras de interesse público, gerando superfaturamentos além do tradicional orçamento superfaturado e tributações demagógicas disfarçadas de inspeções preocupadas com a qualidade do ar é apenas a pontinha visível do iceberg derretido pelo aquecimento global dos quentíssimos discursos vegetativos.

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